Por Eloisa Fiori

1)Não julgarás a mãe que tens conseguido ser. Se orgulhe do que foi capaz de fazer até aqui e se alegre por isso. De fato foi o melhor que pôde fazer até agora. Erros e tentativas fazem parte do aprendizado de qualquer coisa. Não é diferente com a maior missão de nossas vidas. Vamos errar sim, e de novo e de novo, e de repente entramos num compasso e tudo flui. Ali na frente descompassa novamente e vem um novo aprendizado. Ser mãe é um parir por dia.

2) Não julgarás a mãe alheia. Cada uma tem sua forma de maternar. Não se compare, nem se baseie em atitudes de outras mães. Construa seu próprio caminho sem medo.

3) Não julgarás a mãe que teve. Frases como: vou fazer o contrário do que foi feito comigo. Isso pode soar como um não reconhecimento daquilo que tivemos. Agradeça a forma que sua própria mãe conseguiu cria-la e sim, faça do seu jeito. Tentando ser igual ou contrário, sempre vai ser diferente e único o seu jeito de maternar. (Leia mais aqui a respeito E a mãe da mãe?)

4) Não julgarás o pai de seu filho. Ele está tentando re-conhecer você como uma nova mulher. Tente expressar ao máximo suas necessidades para que ele possa entendê-la cada dia mais. Isso muitas vezes leva tempo e desgaste de ambas as partes, é normal. Qualquer direcionamento de sua parte já ajuda.

5) Não julgarás os palpites alheios. Muitas vezes as pessoas realmente estão querendo ajudar. Filtre aquilo que ouve, se não servir pra você; simplesmente ignore internamente (ou às vezes também externamente) aquilo que foi dito. As pessoas tem uma necessidade incrível de falar sobre como foi com elas próprias aquela situação, nem sempre é na tentativa de impor seu ponto de vista, algumas vezes é somente pra relatar mesmo e reafirmar a própria história, afinal de contas, verbalizar é por si só um ato terapêutico.

6) Não julgarás os sentimentos ditos negativos que estão em evidência agora. Raiva, impaciência, intolerância, medo, exaustão, confusão mental, etc. São sentimentos que de fato afloram e ficam intensos. É mais um dos aprendizados da maternidade, saber lidar com eles. Mas enquanto é tudo muito recente se dê um tempo, não se julgue por isso, acolha e tente entender o que te leva a isso, que formas isso tem pra você.

7) Não julgarás seus amigos. É fato que tudo mudou e os eventos sociais que antes eram de um jeito agora tendem a mudar. Tem amigos que não sabem se é adequado ou não convidá-la para um evento agora com um bebê. Outros que se afastam naturalmente. Outros que aparecem justamente pela nova situação. Não quer dizer que eles (os antigos) estejam rejeitando sua presença, mas pra eles é tudo novo também, não sabem como lidar, têm medo de ser inconvenientes ou de atrapalhar. Mas sim, sentem sua falta assim como você a deles.

8 ) Não julgarás sua vontade de largar tudo. Largar tudo e levar o filho junto. Como assim??? Sim, primeiro a vontade de largar tudo vem à tona, depois se toca que não vive sem o filho, então conclui que quer levar junto. Mas aí começa tudo de novo… (???) Qual é a mãe que nunca fantasiou essa situação (tá, pode haver, mas é exceção). Não se julgue, respire e dê um tempo pra si.

9) Não julgarás seu corpo. Ele está mudado, talvez ache magro demais ou gordo, ou flácido. Enfim, é um corpo que acabou de atravessar uma das maiores batalhas da vida que é parir um filho (seja cesárea ou normal). Tenha carinho por ele, cuide, acolha e aceite como ele é. É o seu porto seguro e de seu filho. É o simbolismo da mudança interna que acontece em você. Leva um tempo até se acomodar com essa nova casa, essa nova vida. Olhar com ternura e respeito pelo que nosso corpo passou ajuda a ressignificar como ele está hoje e nos empoderarmos dele.

10) Não julgarás a tão famosa culpa materna. Há uma distância entre a mãe que idealizou e a mãe que é. Quem não mordeu a língua dizendo que jamais agiria daquela forma e se vê repetindo aquele comportamento? Tem sim coisas que conseguimos manter com afinco e dedicação. Mas outras (muitas) agimos bem longe do ideal que gostaríamos e tudo bem. Essa é uma das causas da tão famosa culpa materna. Entre o ideal e o real há realmente um abismo. Imaginamos, sonhamos e idealizamos, mas o dia a dia nos mostra o quão árdua é a tarefa de criar um filho. Podemos sim mudar de opinião, não precisamos provar nada a ninguém. Se antes pensava de um jeito e hoje de outro, se permita essa mudança. Somos o melhor que podemos ser nesse momento. Mesmo.

HPor Psic. Eloisa Fiori
CRP 08/9923

3 Comentários
  1. Karla 1 mês atrás

    Fantástico! ♥️

  2. Natália 3 meses atrás

    Texto super interessante. O tópico 8 super tem haver comigo. Achei que eu estava louca. Rsrsr!

  3. Carol 4 meses atrás

    Muito legal esse texto , realmente é isso tudo aí.

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

CONTATO

Para nós é importante saber como você está se sentindo com as informações que estamos compartilhando. Você pode mandar uma mensagem falando de que forma esse conteúdo lhe tocou.

Enviando

©2018 Instituto Aripe - pós Parto e Puerpério Desenvolvido por V12 Brasil Marketing Digital

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?