A Crise do nosso Casamento tem relação com minhas Relações Anteriores?

Preocupamo-nos com o futuro da relação; e este é o fluxo mais consciente que tem na nossa mente.

 Portanto, sofremos com o presente, preocupamos com o futuro do relacionamento.
 Mas… e o passado? O que ele tem a ver com a minha relação amorosa?



RECONSTRUINDO NOSSO CASAMENTO | Jornada Terapêutica para Casais com Alexandre Coimbra Amaral e Daniela Leal
INSCRIÇÕES ABERTAS: https://bit.ly/3erBG7K
*Para aqueles que estão em sofrimento por sucessivas crises no relacionamento conjugal e que buscam caminhos de reencontro.*

Nesta série “Reconstruindo nosso Casamento”, aqui do Instituto Aripe, estamos compreendendo melhor sobre o fenômeno das crises no casamento.

Já falamos de vários temas anteriormente, vale a pena depois deste conteúdo você acompanhar os outros, que certamente interessam a você e têm correlação forte com a sua vida.

Casamento: passado, presente e futuro.

Acredito que o casamento é uma entidade que nos invade e nos consome, tanto para o bem quanto para o mal. Quando nos damos conta; nossos pensamentos e sentimentos estão todos voltados para a relação; para o parceiro ou parceira; para formas de falar com ele ou ela sobre como nos sentimos.

Preocupamo-nos com o futuro da relação; e este é o fluxo mais consciente que tem na nossa mente.

 Portanto, sofremos com o presente, preocupamos com o futuro do relacionamento.
 Mas… e o passado? O que ele tem a ver com a minha relação amorosa?



Quando abordo o passado, estou me referindo à história anterior de relações amorosas. O que estes outros pontos da curva da vida deixam de marcas para o presente e seus dilemas?

Afinal, a crise do nosso casamento tem relação com minhas relações anteriores?

Sim, pode acreditar que sim. O pensamento sistêmico, que é a forma de ver o mundo que embasa toda a Terapia de Casais e Famílias, diz uma coisa muito interessante: nós colecionamos experiências na vida fazendo uma colagem como em um sistema.

Um sistema é um conjunto de elementos que se inter-relacionam; que estão em interação permanente. Assim, cada história das nossas vidas é vista como parte de uma engrenagem complexa, que tem pontos de encontro entre elas.

Os amores e desamores de nossas vidas estão todos lá; nesta engrenagem, contando como influências. Guarde essa palavra: influência.

Cada elemento de um sistema (por exemplo, o conjunto das minhas histórias de amor e desamor) influencia os demais, de forma mais caótica do que imaginamos.

Às vezes temos um comportamento que vem de uma marca vivida lá numa relação com a qual parecíamos estar indiferentes. Mas não. A crise do casamento, vivida no presente, é um gatilho que aperta botões em nós, que andavam empoeirados. Estes botões podem falar de dores, cicatrizes, arrependimentos, vitórias e alegrias vividas em histórias anteriores.

Memórias das relações anteriores

Vou dar dois exemplos, um de influência de uma memória prazerosa e outra desprazerosa em relações anteriores.

Imagine que num namoro adolescente você se viu sendo amada com notável fervor, mas não gostava tanto dele. A relação terminou, tempos depois, porque não havia intensidade alguma no seu sentimento.

E você pode imaginar que… fim de papo sobre esta história. Mas acontece que você aprendeu, ali, o quanto um homem pode lhe desejar, e fazer coisas para deixá-la em estado de encantamento.

Agora volte ao presente, em que uma das suas queixas é que o seu marido não lhe dá atenção, e você não sente o amor e o desejo dele por você. Veja que as duas histórias são partes deste grande sistema chamado “Minhas histórias de amor e desamor”, que terminam se entrelaçando. E como resultado, você fala com o seu companheiro de forma mais irada, como quem tem conhecimento de causa para dizer da pouca atenção que você percebe nele…

Memória de uma relação tóxica

Outro exemplo. Imagine que você acabou de sair de um relacionamento muito tóxico. Você demorou muito tempo para se abrir novamente para o amor, porque precisou se esvaziar daquela dor de amar alguém abusivo.

Esta demora fez você perceber o quando as relações abusivas pesam, e muito, no seu equilíbrio emocional. Aí, depois de algum tempo, você volta a se relacionar.

Hoje está vivendo uma crise importante neste novo relacionamento. E tem muito medo de voltar a viver o que o relacionamento anterior. Por isso, muito antes de “cronificar” a história com este atual parceiro, você decide terminar com ele.

Ele fica arrasado, porque pensa que vocês ainda teriam muito para viver, e acredita na reconstrução do relacionamento.

Percebe que o tempo da sua desistência tem provável relação com as feridas do relacionamento anterior?



Colocar consciência nisso é realmente penoso, eu concordo. Mas é esse o caminho da autonomia: sentir mais, entender mais, e ganhar mais liberdade diante da própria história. Por isso, vale a pena fazer uma linha do tempo dos relacionamentos afetivos; e entender qual o impacto de cada um na sua vida, e sobretudo a influência que cada um pode ter sobre como você está vivendo a crise atual do seu casamento.

Esperamos vocês nas próximas postagens da Série “Reconstruindo o nosso Casamento”.

por Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo, Mestre em Psicologia pela PUC do Chile Terapeuta de Casais, Famílias, Grupos e Comunidades. Psicólogo do Programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo. Colunista da Revista Crescer (Editora Globo) e do Portal Lunetas (www.lunetas.com.br).