John Bowlby e a importância do apego no processo de desenvolvimento da criança

John Bowlby (1907-1990), psiquiatra e psicanalista inglês, trabalhou como professor, antes de fazer estudos médicos.

Em 1940, começou a publicar trabalhos sobre a criança; sua mãe e o ambiente, opondo-se à perspectiva puramente psíquica; predominante na psicanálise daquele pe­ríodo.

Atribuiu grande importância à realidade social, levando em conta o modo com que a criança fora educada. E no final de sua vida, buscou estabelecer relações entre o desenvolvimento psíquico e a biologia. Três noções marcaram suas pesquisas e seu ensino: o apego, a perda e a separação.

Após a Segunda Guerra Mundial,

Foi vice-diretor da Clínica Tavistock, importante centro de pesquisas sobre a infância, em Londres. A partir de 1950, assumiu a função de Consultor de Saúde Mental para a Organização Mundial da Saúde, em decorrência de suas pesquisas com crianças inadaptadas e sem família.

Trabalhou na Organização Judaica da Saúde, fundada em 1927, a primeira instalação psiquiátrica infantil no Reino Unido e possivelmente na Europa. Estudou uma variedade de eventos de guerra envolvendo a separação de crianças pequenas de pessoas familiares.

Essas pesquisas incluíram o resgate de crianças judaicas, a evacuação de crianças de Londres para mantê-las protegidas contra ataques aéreos e a criação de espaços grupais para permitir que as mães de crianças pequenas contribuíssem para o esforço de guerra.

No final da década de 1950, acumulou um conjunto de trabalhos observacionais e teóricos para indicar a importância fundamental para o desenvolvimento humano do apego desde o nascimento.

Bowlby também investigou como as dificuldades de vínculo eram transmitidas de uma geração para a próxima.

Em seu desenvolvimento teórico; propôs a ideia de que o comportamento do apego era uma estratégia evolutiva e biológica de sobrevivência para proteger o bebê dos predadores.

Questões teóricas, consequências políticas

Em 1951, a Organização Mundial da Saúde divulgou o relatório de Bowlby sobre a saúde mental das crianças sem-teto na Europa pós-guerra: denominado Cuidados maternais e saúde mental [publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes, de São Paulo].

Suas principais conclusões foram influentes, mas geraram muita controvérsia. Ele postulava que o bebê e a criança pequena deviam experimentar um relacionamento caloroso, íntimo e contínuo com sua mãe (ou substituto permanente da mãe), em que ambos encontrariam satisfação e prazer; e que não tê-lo podia gerar problemas mentais significativos e irreversíveis consequências para a saúde.

Essa publicação da Organização Mundial da Saúde foi altamente influente em causar mudanças generalizadas nas práticas; nos cuidados institucionais para bebês e crianças e na mudança de hábitos relacionada à visita de bebês e crianças pequenas nos hospitais pelos pais.

No entanto; a base teórica foi criticada de muitas maneiras. Primeiro se levantaram os próprios psicanalistas, afirmando que ele rompeu com as teorias psicanalíticas, que viam a vida interna dos bebês como determinada pela fantasia e não por eventos da vida real.

Alguns críticos discordaram profundamente da necessidade de amor maternal (ou equivalente) para a criança funcionar normalmente; ou de que a formação de um relacionamento contínuo era parte importante da parentalidade; afirmando que muitas crianças eram educadas sem os pais ou por diferentes profissionais e alcançavam uma vida adaptada e produtiva.

Houve críticas à confusão dos efeitos da privação; postulada por ele, que podiam afetar crianças em instituições.

A publicação também foi usada para fins políticos; pois induzia a pensar que qualquer separação da mãe era prejudicial; o que desencorajava as mulheres de trabalhar e deixar seus filhos na creche por governos interessados em maximizar o emprego dos militares retornados.

Alguns conceitos desenvolvidos por John Bowlby

Humanização dos hospitais

O termo “hospitalismo” designa um estado de alteração profunda, física e psíquica; que se instala progressivamente nas crianças muito pequenas; durante os primeiros 18 meses de vida; em função de um abandono ou de uma temporada prolongada numa instituição hospitalar.

Os sinais do hospitalismo manifestam-se por atraso no desenvolvimento corporal; por incapacidade de adaptação ao meio e, às vezes; por um mutismo que se assemelha ao autismo e pode levar à psicose. Nos casos de total carência afetiva; ligada à falta de qualquer vínculo materno; os distúrbios podem chegar ao marasmo e à morte.

A partir das pesquisas e artigos de John Bowlby e de outros psicanalistas, nos anos 40; em todos os países do mundo ocorreu uma reforma das condições de hospitalização de crianças pequenas.

Apego, perda e separação

De acordo com a Teoria do Apego; os bebês se ligam a adultos que são sensíveis e responsivos nas interações sociais; e que permanecem como cuidadores consistentes durante o período de seis meses a dois anos de idade, aproximadamente.

As respostas parentais levam ao desenvolvimento de padrões de apego que, por sua vez; conduzem a “modelos internos de trabalho” que guiarão sentimentos; pensamentos e expectativas do indivíduo em relacionamentos posteriores.

Mais especificamente; Bowlby explicou em sua série de três volumes sobre apego e perda que todos os humanos desenvolvem um modelo de trabalho interno do eu e um modelo de trabalho interno com outros.

O automodelo e modelo do outro são construídos com experiências iniciais com seu cuidador primário; e moldam a expectativa de um indivíduo em futuras interações com outros.

O automodelo determinará como o indivíduo se vê; o que afetará sua autoconfiança, autoestima e dependência. O modelo do outro determinará como um indivíduo vê os outros; o que afetará seus vínculos ou abordagens, suas opções pela solidão ou por interações sociais.

Na abordagem de Bowlby; considera-se que a criança humana precisa de uma relação segura com cuidadores adultos; sem os quais o desenvolvimento social e emocional normal não ocorrerá.

Segundo a teoria do apego; a criança se vincula instintivamente a quem cuide dela,

com a finalidade de sobreviver; dependendo disso seu desenvolvimento físico, social e emocional. O processo de apego não é específico de gênero; pois os bebês formam vínculos com qualquer cuidador consistente que seja sensível e responsivo nas interações sociais. A qualidade do engajamento social parece ser mais influente do que a quantidade de tempo gasto.

Depois de 1950, Bowlby trabalhou com conteúdos cada vez mais biológicos; comparando o comportamento humano às espécies animais. Seu interesse pela etologia e pela biologia, numa perspectiva darwiniana, o fez alvo de acusações de psicanalistas de ignorar o inconsciente.

Bowlby procurou novos entendimentos em campos; como a biologia evolutiva, a etologia, a psicologia do desenvolvimento, a ciência cognitiva e a teoria dos sistemas de controle. Suas ideias influenciaram a pesquisa etiológica e inspiraram estudantes de comportamento animal.

A teoria do apego foi estendida aos relacionamentos adultos no final da década de 1980.

por : https://revistaeducacao.com.br/2017/12/15/john-bowlby-e-importancia-do-apego-no-processo-de-desenvolvimento-da-crianca/

Arte: @spiritysol

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