Um dia, em uma das muitas conversas em grupo com mulheres vivendo o Tsunami do puerpério, uma delas me disse, entre lágrimas:

“Muita gente fala que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, mas isso é uma mentira! Quando ele nasceu eu não nasci como mãe, eu não sei o que fazer! sinto que ainda estou me preparando para isso… eu não sou essa mãe pronta pra ele, nem sei se eu vou ser, algum dia.”

A verdade é que nascemos sim, como mães, junto com nossos filhos.

Mas não as mães que nos contaram que seríamos, que precisávamos ser, e sim as mães em construção, que seremos para o resto de nossas vidas.

Porque junto com o bebê nascem muito mais perguntas do que respostas e é justamente quando não sabemos que se gesta algum espaço para o novo acontecer.

Quando nasce um bebê não nasce uma mãe pronta.

Essa mãe dos ideais românticos dos comerciais de fraldas e aleitamento. Mas nasce uma consciência desconcertante sobre tanto daquilo que somos e do que não somos; diante daquele bebê que nos desvela e nos busca por dentro das camadas que construímos para nos esconder.

Chora em nós aquilo: que somos e nem queríamos ser, assim como aquilo que não somos ainda, mas queremos buscar; por nós e por eles, para muito além do que já sabíamos de nossos limites e possibilidades.

O mundo interno e externo se expandem com urgência.

E saímos recolhendo pedaços do que se espalha e do que se entranha em nós para compor um novo mosaico identitário, que sustente inclusive esses espaços escuros; onde ainda não sabemos exatamente o que vive ou vai nascer.

Em meio a essa tempestade.

Nós buscamos os olhos de outras mulheres que vivem e viveram o mesmo; buscamos colo e acolhimento, inspiração e apoio. Como elas conseguiram? Qual será o meu caminho? E a cada novo filho acontece um novo processo de reconhecer-se e estranhar-se, em si e no outro, num sem fim de respirar a vida que pulsa.

A beleza da maternidade vista dessa forma não é ser festa.

Mas sim convite (e o convite está mais para uma aventura na vida selvagem!). Ela nos convida a habitar um mundo mais possível e genuíno, mais humano e essencial. 

Nos convida a revisitar nossos começos, a abrir o coração para amar e ser amado mesmo no pior de nós; acendendo a luz em nossos quartos escuros. Nos convida ao vínculo como espaço de construção e desconstrução de mundos; em busca de um que nos caiba em nossos excessos e faltas; como sabemos ser, mas que acolha e nutra os sonhos que nos movem rumo ao melhor de nós.

Por Daniela Leal @danypleal, psicóloga.

Arte: @luizaguedes.ilustra

Dance com seu Bebê em Casa – Dance Mãe e Bebê com Ana Zanesco

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