por Stella Siqueira Campo

“Não acostume no colo!”- será mesmo?

Logo que descobrimos a gestação recebemos dicas, sugestões e infinitos palpites, de como criar esse bebê. Não acostume no colo, dizem uns, faça dormir no berço, fala a outra. Mas quando chegamos em casa, com o novo membro da família, percebemos que tudo que ele quer é ficar no colo. Aquele bercinho que escolhemos com tanto carinho parece machucar. Aquele carrinho tão desejado parece desconfortável. Mas em nossos braços; o bebê dorme por horas.

Por que será que é assim? Será que deixei meu bebê mal acostumado?

Não! O que ninguém (ou quase ninguém) conta pra gente é que o bebê humano não nasce pronto para esse mundo. Dos primatas, o bebê humano é o que nasce mais dependente. Não enxerga bem, não sustenta a cabeça, é indefeso. O cérebro de um bebê recém-nascido, tem aproximadamente 25% do tamanho de um cérebro adulto, e atingirá cerca de 80% do peso aos 2 anos. Se o cérebro do recém-nascido fosse mais desenvolvido, sua cabeça não passaria pelo canal de parto.

E o que saber disso significa? Que os bebês humanos, ao nascerem, ainda precisam de mais um tempinho para se adaptarem e concluírem algumas etapas de desenvolvimento. Período esse chamado de EXTEROGESTAÇÃO. Que realmente significa que o bebê precisa ser gestado fora do corpo da mãe.

O período da exterogestação, segundo o Dr. Harvey Karp, vai até o fim do primeiro trimestre. Já para Ashley Montagu, vai até o bebê conseguir por conta própria se afastar da sua mãe e retornar.

Seu bebê precisa de você! Do seu contato, precisa sentir seu calor, ouvir a sua voz e seu coração e ter acesso irrestrito ao seu leite, para se desenvolver melhor.

O uso de carregadores: os facilitadores de colo e suas vantagens.

Os carregadores de bebês, popularmente conhecidos no Brasil por “sling” podem ajudar, e muito, nesses primeiros meses com o bebê, com o período de exterogestação. O termo babywearing significa literalmente vestir o bebê.

Um carregador tipo wrap ou sling de argolas, permite que o bebê fique no colo, em posição fisiológica e agrupado. Com seus movimentos limitados como dentro do útero. E a proximidade com o corpo de quem o carrega, o mantém aquecido.

Ao caminharmos com o bebê no carregador, o movimento faz um balanço que remete ao mesmo movimento que o bebê tinha dentro do útero. Resultado: o bebê durma melhor.

A posição verticalizada em que o bebê fica no sling, favorece a digestão e a eliminação de gases, diminuindo o refluxo e as cólicas.

E tem mais vantagens?

Sim! Oxitocina! Com o bebê no carregador, ficamos com as mãos livres! Nos permite, entre outras coisas, a fazer carinho no bebê o tempo todo, o que favorece a liberação de hormônios e estimula a produção de leite.

E um dos fatores que considero essenciais no puerpério, um carregador de bebês permite que a mãe puérpera resgate a sua autonomia e independência. Com o bebê no pano, é possível comer, escovar os dentes, caminhar, ir ao supermercado, passear e até pegar ônibus. Além de seguir com as atividades das mais cotidianas, como lavar a louça e estender as roupas no varal, e o que mais for necessário.

Usar um carregador diminui a sensação de solidão e isolamento no puerpério, pois facilita o deslocamento. Tendo a inclusão do bebê em diversas situações, em que, inclusive, ele pode participar enxergando no mesmo nível das outras pessoas, interagindo.

O babywearing é uma ferramenta maravilhosa na criação dos filhos. Bebês que tem colo em livre demanda, crescem seguros e independentes.

Carregar o bebê fortalece vínculos, aproxima. É benéfico para toda família, todo mundo pode carregar!

E quais são os cuidados?

Como tudo que é relacionado ao bebê, carregar exige alguns cuidados, existem recomendações de segurança, para que os slings sejam confortáveis e seguros tanto para o bebê quanto para quem o carrega.

Os bebês devem sempre ser carregados verticalizados, com o pescoço virado para o lado e as vias respiratórias livres.

Todos os pontos da coluna do bebê devem ser ajustados no tecido. A pelve deve estar basculhada para frente, os joelhos erguidos mais altos que o bumbum, numa posição de “sapinho”.

O tecido do carregador deve sustentar de um joelho até o outro, para que o peso do bebê fique distribuído pelo bumbum e coxas.

Os bebês devem ser carregados sempre voltados para quem os carrega, o que preserva a curvatura fisiológica da coluna, e evita que o bebê sofra estímulos desnecessários do ambiente e fique superestimulado.

Qual o melhor carregador? Qual o melhor tecido? Qual o melhor jeito de amarrar?

Para cada pessoa, uma resposta diferente! Na internet há muita informação, mas no Brasil está crescendo também a quantidade de assessoras de babywearing,que assim como as consultoras de amamentação ou de sono, estudam para facilitar e auxiliar na escolha do carregador e no posicionamento ergonômico.

O que realmente importa é carregar, seja como for, leve seu bebê juntinho!

Stella Siqueira Campos, 33 anos, mora em Curitiba, mãe do Augusto de 25 meses, Tecnóloga em radiologia, especialista em Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, carregadeira e assessora de babywearing formada pela Bebê no Pano. – Facebook: Piá no Pano – Curitiba

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Conversando com Casais em Crise

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