Conceitos do Apego

Você precisou se afastar das pessoas da sua vida para cumprir uma quarentena por conta da pandemia do corona vírus. Você se observou? O que essa supressão desses vínculos presenciais fez com você? Fez com seu estado de humor? Isso tem a ver com Teoria do Apego.

Vamos conversar sobre um assunto, com o qual certamente você se deparou ao longo deste ano de 2020.

Supressão de vínculos presenciais

Desde março de 2020 nós fomos obrigados a nos fecharmos dentro das nossas casas. Sendo muitíssimos seletivos com os momentos, espaços e distâncias que nós cumpríamos de outros seres humanos.

Mesmo que esses seres humanos fossem as nossas figuras centrais de apego. As pessoas mais importantes das nossas vidas. Àquelas que nos acalmavam até esse momento, nos momentos de angústia. Nos piores momentos pelos quais a passávamos.

Isso teve um reflexo assustador sobre a saúde mental, tanto é, que se espera no pós pandemia o que a Europa está chamando já, do Tsunami da saúde mental pós pandemia.

Que tem a ver com os reflexos por tanto tempo desse afastamento das pessoas dessa impossibilidade de sentir o toque de se comunicar olhos nos olhos, sem a máscara, podendo pegar nas pessoas em 3D, podendo fazer uma reunião da equipe da sua empresa sem que seja naquelas telinhas das reuniões virtuais.

Em que as crianças, as principais afetadas por essa pandemia, não precisem mais ter o online como a plataforma da educação possível.

Desenvolvimento humano, é desenvolvimento em 3 dimensões.

É um desenvolvimento correndo curtindo a natureza, abraçando as pessoas. E sentindo a proximidade delas, inclusive, física.

Essa supressão dessa proximidade, a ideia do distanciamento social, do distanciamento físico para preservação das vidas por conta da pandemia, é uma emergência de saúde pública, mas tem um impacto emocional.

O que a Teoria do Apego nos diz?

Nos diz que nós precisamos buscar proximidade. Que tipo de proximidade é possível para nós com essas pessoas de referência durante a pandemia?

Foi a proximidade online. Como cada de nós se sentiu com essa tradução dos afetos, de um afeto presencial para um afeto virtual?

Que tipo de ausência ficou tão presente, o que essa ausência fez conosco?

E sobretudo, quais foram as substituições que nós precisamos fazer para colocar no lugar desses buracos, dessas grandes ausências?

Teve gente que precisou substituir esses afetos presenciais por café, por comida, por bebida alcoólica, por Netflix…

Nós nos vinculamos a todos esses elementos da vida, tudo isso é vínculo. Tudo isso faz parte de uma coletânea de afetos que compõe a vida como um todo.

A pandemia nos mostrou o quanto as pessoas, às vezes, nas interações mais banais da vida como por exemplo; naquela passada no corredor da empresa em que você podia ver uma pessoa e falar assim: oi tudo bem?

E simplesmente isso. Todas essas pequenas coisas construíam um conjunto de espaços de convivência humana que davam no total do dia, no total de uma semana, no total de um mês um maior equilíbrio emocional para nós.

Isso perdemos em 2020.

E olhar para isso é fundamental para prestarmos atenção na nossa saúde mental, e o que precisamos fazer por cada um de nós e pelas nossas crianças e pelos nossos idosos.

Então, vamos estar juntos aqui; sempre nesse canal conversando sobre Teoria do Apego e outros temas importantes para o seu conhecimento, sobre desenvolvimento humano aqui no Instituto Aripe.

Você já ouviu falar do Curso Teoria do Apego, do Instituto Aripe?

A cada edição ele é um curso diferente, ele é um curso ao vivo, em que eu procuro trazer para nossa experiência, no aqui e agora na sala de aula virtual, o que a gente está vivendo na nossa vida.

Por Alexandre Coimbra Amaral, Psicólogo, Mestre em Psicologia pela PUC do Chile Terapeuta de Casais, Famílias, Grupos e Comunidades.
Psicólogo do Programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo. Colunista da Revista Crescer (Editora Globo) e do Portal Lunetas (www.lunetas.com.br).