Por Arielle Nascimento

Em pleno feriado não consegui levantar, não consegui cuidar e muito menos passear. A mãe parou. O corpo parou. Não tinha forças para segurar as crianças e nem me sustentar. Ao mesmo tempo em que tentava entender o que se passava, fui assombrada pela frase fantasma que me serviu de mais peso num corpo já sem força :

” mãe não pode ficar doente…” . clique aqui e leia mais a respeito

Tinha a papinha dela , o antibiótico dele (clique aqui para mais sobre a chegada do segundo filho), arrumar a bolsa dela e dar a frutinha… tinha um tanto de coisas. Meus pensamentos sabiam, mas meu corpo, dessa vez não quis saber. Fechei os olhos ao meio dia e abri às seis da tarde. Acordei como de um cochilo e assustada ainda tonta me interroguei: ” e meus filhos? ”

Essa pergunta a gente se faz o tempo todo. Se precisa ir ao banco ou ao supermercado. Ao médico ou ao Salão. Ao trabalho ou a academia.

É bobagem achar que podemos criá-los sozinhos ; pai e mãe. Já disseram, é preciso uma aldeia para criar uma criança. É preciso os avós, os tios, vizinhos, professores…por nós e por eles.

Por eles, quanto mais encontros e vivências tiverem, mais ampliadas serão suas afetações e possibilidades. É a tia que apresenta o piano e o avô que apresenta o peão quando em casa só tinha violão e bola de futebol. É o vizinho que passeia de fusca e a professora que ensina a recortar quando em casa só tinha hotwhells e giz de cera.

Por nós, quanto maior a rede de apoio, menor a chance de você ir ao chão – pense no equilibrista. Quanto maior a rede, maior o alcance – pense no pescador.

Autonomia então não é o quanto você consegue fazer sozinha. Até porque quanto mais estamos sós, menos podemos fazer. Autonomia é, ao contrário, ter com quem contar. Olha o tanto que você pode quando pode contar!

Essa rede, por outro lado, não está dada. Ela se tece na relação, no fiar junto. Confiar. Nessa tecitura, meus filhos passaram um ótimo dia com os avós, até voltarmos do hospital.

Que saibamos usar nossas redes com a confiança do equilibrista e com o desembaraço do pescador.

” – E meus filhos”? Deixe a aldeia acontecer…e assim a mãe poderá cair doente porque isso faz parte da vida, mas o mais importante: poderá se levantar.

Arielle Nascimento
Psicologia Perinatal e Parental

instagram: @psicologaperinatalarielle

http://www.facebook.com/psiariellenascimento

 

FORMAÇÃO DANCE MÃE BEBÊ

2 Comentários
  1. Paula Pontvianne 10 meses atrás

    Nunca tinha pensado por esse lado – deixar acontecer…
    Muito bacana!
    Tenho medo, não confio, mas quando penso em deixar acontecer parece que abre um leque enorme de possibilidades…
    obrigada pelo texto

    • Autor
      tarsilakato 10 meses atrás

      Paula, um grande abraço! Que bom que gostou do texto, que essas reflexões lhe tragam mais leveza e felicidade.

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