Sou nutricionista e desde que me formei meu foco é trabalhar com crianças. Quando o Caio nasceu eu tive ali a minha aula prática e tinha certeza que tudo iria funcionar bem na amamentação. O nascimento do Caio foi muito tranquilo. Ele era um bebê muito bonzinho e logo pegou o peito. O meu leite também não demorou para descer e eu pensava como tudo estava correndo bem.

Até que fomos na primeira consulta com o pediatra e vimos que Caio não estava recuperando o peso como o esperado. Além disso, ele estava com icterícia grave. Logo o pediatra pediu complemento. À princípio não aceitei porque queria colocar em prática tudo o que havia aprendido como nutricionista.

Começamos  a ordenhar o leite que o Caio não mamava para complementar ele com meu próprio leite. Quando voltamos no pediatra o Caio ainda não havia ganhado o peso esperado. Foi uma insistência para introduzirmos o complemento artificial porque se ele não ganhasse o peso talvez não iria conseguir recuperar da icterícia. Então, me vi entre a cruz e a espada.

Como profissional eu sabia que o leite materno é o ideal para o bebê. Porém, também sabia que o complemento era bastante útil em caso como esses e eu não poderia negar essa opção. Sendo assim, decidi começar com a complementação artificial, além do leite materno.

Eu lembro direitinho quando Caio foi tomar a primeira mamadeira. Meu marido deu para ele no quarto e eu fiquei chorando sozinha na cozinha. Fiquei pensando que eu havia deixado meu filho passar fome e fiquei me perguntando como tinha feito isso. Principalmente por ter estudado tanto a parte nutricional e me preparado para amamentar.

Quando voltamos na consulta de um mês, Caio havia ganhado peso. Logo pensei que era a hora de tirar o complemento e que nunca mais daria para ele. Porém, quando comecei a tirar o complemento ele chorava muito e eu pensava que ele estava sentindo fome e que eu não estava produzindo a quantidade de leite suficiente. Então, dava o complemento novamente e a cada mamadeira era um sofrimento para mim.

Com dois meses e meio fomos para as aulas de dança para mães e bebês. Foi muito bom para nós, era um respiro e um momento muito agradável durante a semana. Era um lugar onde eu esquecia um pouco da culpa de introduzir o complemento artificial para o Caio e saia daquela situação interna de cobrança. E assim fomos até os seis meses, dançando e tentando tirar o complemento.

Quando Caio completou seis meses e começou a introdução alimentar fiquei novamente animada pensando que agora seria a hora de tirar o complemento. Porém, Caio fechou a boca para a colher e ficou vinte dias sem comer, se alimentando apenas  do leite materno e do complemento.

Comecei a pensar o quanto eu era péssima nutricionista, porque não estava conseguindo fazer com meu filho o que eu orientava para as outras mães.

Bem nesse período de introdução alimentar tínhamos uma viagem marcada e fomos com o Caio. Foi uma semana muito agradável e ele começou a aceitar algumas frutas. Assim que voltamos da viagem fomos para a aula de dança e foi um dia bem marcante que dançamos a dança da leveza. Fui sentindo no meu corpo o quanto a maternidade pode ser leve. Depois desse dia o Caio começou a aceitar comida.

Fiquei admirada de perceber o quanto meu filho é influenciado pela minha postura de mãe, pelo meu estado de espírito e bem-estar. Enquanto eu estava ansiosa com a alimentação dele, ele não comia. Assim que comecei a ficar mais tranquila, ele passou a aceitar o alimento e aos poucos fui tirando o complemento e ele foi ficando bem.

O que eu levo para mim de lição é que nós colocamos muitas expectativas nas situações que idealizamos. Essas expectativas vão toda para o bebê e eles acabam sentindo e ficando com receio. Na verdade, as crianças devem ficar confortáveis para as coisas fluírem.

Acho que a leveza da dança para mães e bebês me ajudou bastante. À medida que minha maternidade começou a ser leve, a alimentação do Caio começou a fluir e conseguimos tirar o complemento.

 

 

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4a Turma Psicologia do Puerpério com Alexandre Coimbra Amaral

9 Comentários
  1. Cassandra 3 anos atrás

    Muito bom texto, exatamente assim q acontece, a gente passa tudo pra eles … eu tb sou nutri , não exerço há algum tempo, porém sempre tento trazer pra casa o q aprendi e o que ainda aprendo com minhas comegas e essa parte da alimentação das crianças nos deixa louca mesmo… eu sou capaz de fazer tudo pra que minha filha coma bem e qto mais eu me estresso pior fica e é isso aí, mamãe feliz, filhote feliz!

  2. Chimena Veimrober 3 anos atrás

    Fiquei feliz em conhecer outra mãe cuja maternidade veio dizer q n tem fórmula! Já são muitas culpas, stress, privação de sono, hormônios e ainda ficar sob juízo todo tempo? Não dá! Se leite materno ou artificial, se colo o tempo todo ou não, se ajuda de babá ou não, n importa! Tenho percebido que o fundamental é a mãe estar feliz, em paz para o bebê estar bem Tb!

    • Autor
      Equipe Instituto Aripe 3 anos atrás

      Olá Chimena! Realmente, muito bonito isso que você disse: maternidade não tem fórmula! Cada mãe vai encontrar o caminho do seu coração e o que faz sentindo para essa dupla única e muito particular mãe-bebê que está se formando. Abraços! Seja bem-vinda!

  3. Patricia 3 anos atrás

    Excelente depoimento. Relamente os nossos sentimentos influência o bebê.
    Bj

  4. Cláudia Wosiack 3 anos atrás

    Amei o fato de uma profissional reconhecer que nem tudo depende de nós…Acabamos nos estressando em tentar fazer tudo como os livros dizem que deve ser feito e sermos perfeitas enquanto esquecemos que boa parte do nosso sucesso ou não ,não está em nossas mãos e sim na maneira como os pequenos ,tão inocentes se encaixam num mundo cheio de novidades e as vezes dificuldades para eles….O importante é fazer nosso máximo e deixar fluir…Eles crescem tão rápido …Devemos curtir cada instante.Amei a ideia dá dança para mamães e bebês.

    • Autor
      Equipe Instituto Aripe 3 anos atrás

      Olá Cláudia. Concordamos com você. É necessário deixar a imagem ideal da maternidade e do filho, para viver a maternidade e o filho real, com suas dores e delícias. Em relação a dança para mamães e bebês em breve teremos um curso online, onde você possa dançar em casa com seu bebê. Se você tiver facebook acompanhe pela página https://www.facebook.com/dancemaebebe/. Abraços!

  5. Angelica 3 anos atrás

    Excelente depoimento. Bastante enriquecedor!! Fico feliz que você não tenha insistido e seguido a sua intuição… ???

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