E as mães?

Tem muita gente que confunde o desejo genuíno dessas mulheres mães de construírem relações muito fortes, muito sólidas; muito amorosas que promovam paz de espírito para elas, para os bebês, para as crianças; uma sensação de encontro profundo, isso é uma coisa.

 

A outra coisa é dizer que a única forma que essas mulheres têm de construir isso é se dedicando exclusivamente a maternidade.

Isso é quase uma treta do mundo da psi(cologia). Por quê?

Porque a Teoria do Apego é uma teoria que sustenta que nós somos seres vinculares e que todos os papéis humanos, podem ser exercidos pela figura que Bowlby chamava de primária, como por exemplo a mãe ou por uma figura que ele chamava de substitutiva, que são todas as pessoas que podem potencialmente cuidar de um bebê, de uma criança, de um adolescente na companhia dessa mãe ou na substituição dessa mãe.

O que precisamos fazer é dar a essa mãe o direito, e aí  podemos falar de todo recorte social, dela ter condição de formar, realmente uma grande vila.

Dela ter pessoas em quem ela possa confiar para deixar o filho quando vai trabalhar, quando vai se relacionar com alguém, quando ela vai sair com os amigos ou quando simplesmente precisa ficar só; para poder ganhar fôlego desse grande compromisso com a eternidade, que é ter um filho.

Então a maternidade não é uma ação humana que precise ser isolada do resto do mundo para que ela tenha qualidade.

Somos seres vinculares

Os filhos toleram as nossas falhas e os filhos, a partir da Teoria do Apego sabemos disso, sobretudo depois do primeiro ano de vida, se abrem profundamente para pulverização das figuras de apego.

Eles querem estar com muitas pessoas, e nós seres humanos temos isso na nossa constituição antológica.

Isso faz parte de quem nós somos; faz parte da materialidade mais sutil da condição humana.

Nós podemos nos relacionar com muitas pessoas; é claro que a partir da confiança que essas pessoas tenham a nos ofertar, e a ofertar às nossas mães.

Apoio às mulheres

Então que nós possamos construir nesse mundo, um mundo em que as mulheres possam se sentir apoiadas, amparadas; e não julgadas porque elas se outorgam ao supremo direito de terem companhia na criação dos seus filhos.

A Teoria do Apego de John Bowlby não defende e nunca defendeu a necessidade da exclusividade do cuidado materno para garantir a saúde mental do bebê, da criança, do adolescente ou de um adulto.

O que defendemos na Teoria do Apego, é que esse vínculo precisa ser consciente, conhecido e quando ele for compartilhado; que a mãe se interesse por como seu filho ficou na sua ausência.

Então que essa mãe, quando o filho retorna; que ele possa receber dela um olhar de curiosidade e de cuidado. Isso, por si só já conecta o filho com esse grande laço que está sendo tecido ao longo de toda história materna.

É por isso que convidamos você a nos acompanhar nessa série de vídeos exclusivos, sobre Teoria do Apego; aqui no Instituto Aripe.

Até mais!

por Alexandre Coimbra Amaral, Psicólogo, Mestre em Psicologia pela PUC do Chile Terapeuta de Casais, Famílias, Grupos e Comunidades.
Psicólogo do Programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo. Colunista da Revista Crescer (Editora Globo) e do Portal Lunetas (www.lunetas.com.br).