Para as famílias que estão com as crianças em casa o isolamento está trazendo, para além da possibilidade inédita de estarmos juntos, de forma tão intensiva, muita confusão e muitos desafios.

Diante deles, temos encontrado pela internet diversas dicas, de mil atividades para fazer com as crianças e ocupar o tempo livre em casa.

Experimentar momentos juntos com uma proposta legal pode ser divertido demais! Mas apesar de achar genial que tanta gente esteja compartilhando ideias de atividades, experiências, brincadeiras e até contação de histórias, quero abordar uma outra questão.

O cenário que estamos vivendo traz para os nossos filhos o mesmo convite que apresenta para nós mesmos: o de reaprender a viver o tempo, a respiração, a pausa, o cheio e o vazio.

Nossos antigos dias abarrotados de compromissos de toda ordem e a rotina cheia de estímulos e atividades orientadas – que a maior parte das crianças tem vivido – viciam nossas mentes e corpos em uma velocidade que atropela qualquer silêncio pelo caminho.

E não estou falando do silêncio dos sons, necessariamente, mas daquele momento em que conseguimos ouvir nossa voz interna. Mesmo isolados em casa: computador-tarefas domésticas-televisão-celular-redes sociais e o que mais ajudar a sustentar a ideia de que o tempo não está sendo improdutivo.

Nosso mundo aprendeu a se angustiar, temer, evitar esses momentos em que estamos a sós, em nosso vazio particular.

Nosso mundo pós-moderno começou a chamar de tédio, ócio, preguiça, falta do que fazer, o tempo que não for preenchido com o menu infinito de possibilidades para nos distrairmos. Distração.

Se atentássemos pra essa palavra! De quê queremos tanto nos distrair? O que encontraríamos se não estivéssemos com tanta pressa para preencher cada vazio com distrações tantas?

Se olharmos pro mundo lá fora, pra natureza, como espelho do que se passa em nós, podemos passar a nos entender cíclicos; como tudo o que há. Assim como nosso corpo, nossa mente e nosso coração precisam respirar. O consumo desenfreado de experiências pode ser como uma inspiração contínua! É preciso expirar, integrar o que foi vivido, sentido, aprendido…

É preciso expirar, integrar o que foi vivido, sentido, aprendido… precisamos assentar a vida dentro de nós, e então relaxar e devolver pro mundo essa energia… assim crescemos!

Nos alimentamos do que vem de fora, mas também da pausa, para dar voz ao que nasce dentro.

Não vamos cair na armadilha de reproduzir em nossas casas o acelerador de gente que tem nos levado à loucura; de ter que ser, fazer, aprender e produzir tanto. E nem nos aproximemos da infância de nossos filhos como um circuito ou uma gincana.

Não é nosso papel gerir uma agenda que possa entretê-los 24h; e se nos propuséssemos a isso, estaríamos impedindo um processo valioso, que nasce de uma falta.

Quando assistimos as crianças em ação sem oferecer soluções fáceis; atividades propostas todo o tempo, percebemos que uma magia acontece: depois da curva do tédio; depois da raiva abstinente de alimento pronto para uma fome que nunca acaba; existe o respiro, o descanso, a criatividade, o brincar livre. Livre do outro, livre de roteiro.

E quando isso acontece, o ritmo, a ideia, o enredo; as emoções envolvidas nos surpreendem pela sua capacidade de expressar e responder com precisão às necessidades subjetivas daquele pequeno ser; e do momento que ele está vivendo.

A criação é a descoberta da própria potência de ação; sobre si e sobre o mundo e dos caminhos sutis da espontaneidade e da conexão consigo.
A onda nos diverte e nos anima.

Mas nos momentos em que a maré seca, podemos escutar conchas que sussurram histórias e encontrar; escondidas sob a areia, as nossas pérolas.

por Daniela Leal é psicóloga e contribui com a página do Instituto Aripe.

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