E você se encaixa perfeitamente no meu colo. Um sono de anjo que me faz esquecer, como num passe de mágica, as noites em claro. E acaricio a mãozinha fofa com covinhas. E olho a unha transparente de tão fina, que cresce rápido como você.
E quando te aninho nos braços tudo estranhamente se encaixa. Pedaços de mim se ligam de um jeito, que antes de ti, não fariam o menor sentido. Mas, que agora, se conectam numa estranheza bonita de viver.

E enquanto eu te faço seguro, estou à beira do mar aberto, cheia de incertezas antes do mergulho inevitável.

E enquanto te faço seguro, por alguns instantes, também estou protegida de tudo. Estar contigo me faz estar comigo (mesmo sem ter a mínima ideia de onde esteja). E nessa bolha, às vezes tão densa, me sinto sufocada por não saber mais quem sou, e de repente, ter que saber tudo o que você precisa aqui fora. Experimento a insustentável leveza de ser mãe.
E nessa bolha, às vezes tão densa, eu respiro um ar fresco, com cheiro adocicado de cabecinha suada. Cheirinho de bafinho de leite. O cheiro de vida nascendo.

E o choro doído, que jorra como o leite, flue no subsolo do coração e vaza na superfície, sem controle. A dor de não tê-lo mais protegido aqui dentro. O choro das emoções inomináveis. Doce melancolia.

E o choro doído, que jorra como leite,

chega como chuva adubando esse mundo novo que está a nascer também. O choro por ser abençoada. O choro da gratidão.

E assim, em meio aos seios rachados e doloridos, e às noites interrompidas por bebê querendo mamar, eu imploro, em segredo, para esse tempo de insanidade passar.
E assim, em meio aos seios rachados e doloridos, eu imploro, baixinho, para não te acordar (e forte, na certeza de ser ouvida): por favor Tempo, seja gentil conosco, corra macio. Porque o seio que dói explode mesmo é desse amor que não cabe no peito.

E como numa epifania eu sinto a estranha magia de amar assim, louca e desesperadamente.
E como numa epifania eu sinto a estranha magia de amar assim, macio e sem susto. Como se já amasse sempre e antes mesmo de te ter aqui.

Autoria: Camila Ramos @um.colo.para.mae, aluna do Curso de Psicologia do Puerpério do Instituto Aripe, Psicologia do Puerpério.

Imagem: Mothers Kiss – Mary Cassat

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