Por Priscila Vaz

Sobre o tempo infinito de amar…

Ah! Sr. Tempo! Desde que ela veio existir em mim, eu estou tentando pactuar algo contigo…

Às vezes rezo, baixinho, pedindo para você ir devagar. Em outras, me pego chorando, repetindo aquele mantra materno: vai passar!
Mas você continua sua viagem implacável… insistes em voar. Então, esqueço o tempo marcado, e me entrego nessa doce viagem de te ver passar, aprendo a “passarinhar” entre o aqui agora e o que logo, imediatamente, é já.

Afinal, como registrar em horas, dias, meses e anos, O TEMPO INFINITO DE AMAR?

(leia mais em Puerpério: o Grande Espectro Existencial entre a Luz e o Luto)

Vem de mansinho e demora… naquelas infinitas vezes, que eu fico olhando ela dormir, completamente extasiada (e para sempre incrédula!) – Como pude criar algo tão divino?!
Deixa me aqui admirando a forma como este corpinho cabe em meus braços. O cheirinho de suor e o bafinho de leite. Suas mãozinhas, que eram tão pequenininhas, agora tão curiosas e “belisquentas”. O barulhinho que ela faz mamando e o modo como ela me olha por dentro. O seu sorriso ao me ver. Ah! Esse sorriso, luz da minha vida! E o sonzinho da sua voz? – “Mamã” – nunca ouvi coisa mais linda!

E lá vem o Sr. marcando seu compasso, transformando tudo aquilo que cabia dentro de mim e em meus braços. Generoso, vejo quando sussurra baixinho para ela: Vai agora, você está pronta!

E lá vai ela por aí, se equilibrando em existir de mãos dadas com você… vão passear por aí, descobrir.

Sinto também, quando sopra forte, e quase me leva de rasteira por entre as emoções mais loucas. Que me fazem ter a coragem do mundo todo e os medos mais banais. Posso abraçar a exaustão e na mesma medida, não cansar de me devotar. De me doar inteira. De transbordar. Sem cessar de me refazer, infinitamente, por ela.

Não canso de vê-la brotar, em passos, em sorrisos largos, em cheirinhos e abraços (“forte! forte!”). Que coisinha mais doce!!!
Quanto mais você passa, mais amor tenho por ela!

E tu vens num rodopio, dançando por entre os meus dedos, quase escapando, lhe aperto forte.

Não me escape não! Vamos fazer um acordo Sr. Tempo?

Deixe tudo gravado aqui na minha pele. Para a memória uso essas palavras aqui, e outras tantas fotografei. Mas não leve esse registro que guardo, no sagrado do meu corpo de Mãe.

Assim, esse AMOR fica escrito ao nosso modo, infinito, para sempre.

(veja também: Outras Crises que Chegam Junto com o Filho)

Autora: Priscila Vaz da Roda de Pós-parto online do Instituto Aripe

Foto da Capa: Jú Queiroz – projeto A qualquer hora e Em qualquer Lugar, conheça seu trabalho AQUI

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1 Comentário
  1. Joelaine 6 meses atrás

    Ufa! Que texto… Lindo e profundo.

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