Às vezes nos vemos bombardeados, nesses tempos pós-modernos, por mensagens explícitas e implícitas; que nos falam das maravilhas da independência. A independência como termômetro de sucesso material e emocional é vendida; dentro de um pacote de valores, em direção ao qual muitos se movem e norteiam suas escolhas.

Inclusive as que se referem à criação de nossas crianças.

E assim uma enorme quantidade de práticas educativas têm se disseminado; baseando-se no pressuposto de que quanto maiores e mais precoces os sinais de independência; melhor e mais bem sucedida está sendo a criação de um/a filho/a.

Essa busca por independência, a própria ideia da possibilidade de existir como uma ilha de autossuficiência cercada de conexões de que se pode prescindir, é uma grande ilusão.

Podemos dizer, inclusive, que a crença nesse lugar inatingível; tornou-se fonte inesgotável de frustrações e falências emocionais e relacionais.

Isso porque, como seres humanos e sociais somos essencialmente interdependentes e relacionais; nos constituímos a partir de nossas relações. O mundo está o tempo todo tentando nos acordar desse sonho; mostrando o quanto somos afetados pela teia de conexões em que estamos inseridos, conexões humanas e ambientais.

Voltando o olhar para a parentalidade; quando mães e pais adotam a perspectiva da independência como ideal, muitas vezes acreditam que seria possível ou desejável criar bebês “independentes”; adotando atitudes que prometem autonomia mas que acabam promovendo distância afetiva… deixando de atender a necessidades por vezes muito básicas, como peito, colo e consolo.

Quando entendemos que os bebês são seres essencialmente dependentes; e precisam ser atendidos em suas necessidades de forma amorosa no presente; para aprenderem a confiar no mundo, no outro e em si mesmos no futuro, essa visão deixa de fazer sentido.

Inclusive, os resultados emocionais dessas práticas de desconexão muitas vezes produzem o efeito contrário: alimentando relações de dependência emocional no momento em que constroem uma base relacional com a marca da insegurança.

A criança que vive essas experiências acaba se sentindo insegura para se afastar do ninho e explorar o mundo com liberdade, já que não parte de um porto-seguro, não sente um lastro de sustentação emocional que dê garantias a ela para se descobrir e se diferenciar dos pais.

A Teoria do Apego nos mostra que a forma como aprendemos a confiar ou não nas relações começa a ser construída nessas relações primárias.

Que nos ensinam a sentir segurança ou insegurança básica para construir vínculos, uma marca que será sentida ao longo da vida com as figuras mais importantes da nossa história.

Assim, os bebês que conseguem desenvolver confiança e segurança na relação com uma figura de apego central,; seja a mãe ou outro adulto cuidador, aprendem que existe um chão; uma sustentação emocional que está sempre disponível para quando ele precisar voltar e se abastecer.

Essa segurança se internaliza e libera o bebê para seguir em frente, para além das relações primeiras, sem precisar gastar energia olhando para trás o tempo todo, tentando garantir aquilo que não foi capaz de lhe dar certezas de que sempre estaria lá.

A construção de um apego seguro na relação com um bebê pode ser o primeiro passo.

Para que depois ele seja capaz de se lançar no mundo confiante em si mesmo e nas relações que atravessarem seu caminho.

A partir dessa perspectiva, a forma como nos vinculamos com nosso/as filho/as carrega a possibilidade da esperança profunda nos vínculos, se for baseada em uma presença suficientemente atenta e responsiva, capaz de produzir confiança na proximidade como tônica do encontro e no encontro como recurso para as adversidades.

por Daniela Leal – @danypleal

Fotografia: kuara, Carolina Galvão Reis
Imagem (amor em movimento): Elisama Santos

Dance com seu Bebê em Casa – Dance Mãe e Bebê com Ana Zanesco

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