por Carla Mantovani.

Se o significado de parir é dar à luz e, se quando temos um bebê seja de cesárea ou parto normal, estamos trazendo alguém do escurinho do útero à luz do mundo. Não estamos parindo?

E ao parir, ou ao dar à luz um novo ser. Não passamos por um grande processo de transformação?

Quando uma mulher decide engravidar, e mesmo a que não escolhe. Mas engravida e decide levar adiante essa gravidez. Ela entra em uma jornada que começou muito antes, ainda no nível do desejo.

Se pudermos fazer um paralelo com o “arquétipo da jornada do herói”. A mulher é a heroína que vive em um mundo comum e por seu desejo ela é chamada à aventura da maternidade. Então saindo de seu lugar de conforto, do lugar onde se reconhece e parte em sua jornada para se tornar mãe.

Nessa caminhada pode ter o apoio de um mentor, que a motiva e fornece dons para levar em sua aventura. Esse mentor pode aparecer na figura da mãe, da Doula, da Psicóloga Perinatal ou do próprio companheiro que apoia suas decisões.

Na travessia do primeiro limiar, enfrenta os guardiões que separam o seu mundo comum e o mundo da aventura. Guardiões esses que podem aparecer na figura dos “detentores do conhecimento”, que permitirão ou não, que essa heroína se empodere e siga sua jornada. Onde ainda pode encontrar diversos aliados, bem como conhecer as regras e ser testada qualificando-se a seguir.

Mas como a gestação e o caminho para a maternidade não são uma aventura tranquila.

A mulher encontra momentos de grande provação, quando descobre seus monstros internos e seus medos. Seja do parto, de encontrar seu bebê real, de não poder parir como sonhou. Por conta do camaleão – o médico cesarista que se escondia atrás do lema da humanização.  E o período de puerpério, da amamentação?

E vem então o momento de quase morte, de transformação. O parto vem como a grande provação no caminho da maternidade, de onde a mulher ressurge e, por vencer suas provações. A mulher conquista sua recompensa, seu bebê.

Já no caminho de volta, quando a mulher percebe que não há mais o mesmo caminho de volta, e que ela não é mais a mesma que partiu do mundo comum. Quando vivencia o puerpério, ela se depara com a morte. E como recompensa ressurge dos mortos podendo escolher se quer voltar para casa no mundo comum ou ficar no mundo especial. Mas agora consciente que é uma nova pessoa, com novos conceitos e valores, tornando-se um ser diferente do que era no início.

Pensando nessa longa jornada, cheia de desafios, a mulher ainda precisa enfrentar a aprovação e julgamentos da sociedade.

(Leia também “O bebê e suas expectativas”)

Que vende a cesárea, mas cobra o parto normal, que quer a amamentação, mas julga os peitos de fora amamentando seu bebê.

E outra vez convido a praticar a empatia. Parir é um ato de amor. Dar à luz, trazer um ser à vida, é um ato de amor. Sentir as dores do parto ou permitir uma cirurgia de extração fetal, são atos de amor, porque a decisão de uma mulher. Esteja ela empoderada ou não, baseia-se no que ela acredita ser melhor para seu bebê, e como heroína, se sacrifica por seu bebê.

E respeitar essa decisão é humanizar o nascimento. Cabe então aos profissionais da humanização estarem presentes como aliados nessa grande caminhada. Eles oferecendo dons para que a heroína dessa história chegue ao fim de sua jornada tendo feito as melhores escolhas.

(assista também “A mãe solteira” com Alexandre Coimbra Amaral)

Por Carla Mantovani (visite sua página)
Psicóloga 06/76518
Perinatalidade e Parentalidade

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1 Comentário
  1. Anna 12 meses atrás

    Muito bom o texto, queria que a autora o desenvolvesse mais!

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