O Dinheiro no Casamento

O dinheiro, é uma materialidade aparentemente neutra, que poderia servir a qualquer propósito, mas o dinheiro é a marca mais evidente das relações de poder na nossa sociedade e essas relações de poder se transladam para a vida conjugal.

Como é que lidamos com esse tema do dinheiro na vida conjugal dentro de uma terapia de casal? – tema do texto e vídeo de hoje no Blog do Instituto Aripe com Alexandre Coimbra Amaral.

Autonomia e dinheiro

O dinheiro, é uma materialidade aparentemente neutra, que poderia servir a qualquer propósito, mas o dinheiro é a marca mais evidente das relações de poder na nossa sociedade e essas relações de poder se transladam para a vida conjugal.

Dinheiro tem a ver, no casamento, a ideia ou de fusão ou de autonomia.

O dinheiro quando, por exemplo, é gerido conjuntamente em uma mesma conta, por exemplo, mas não necessariamente em conta conjunta, quando você pensa na vida do casal como uma vida em que os dois ganhos se fundem, essa ideia é muito ruim para algumas pessoas, porque parece a elas, que elas estão perdendo a sua privacidade, a sua autonomia.

Quando essa gestão dessa vida é feita de forma muito separada em que cada um lida com seu ganho, com seu dinheiro e são divididas as contas a pagar do mês naquela família, pode parecer através do dinheiro uma metáfora de que não existe um projeto de vida em comum.

O ponto de equilíbrio

Então, não é que exista e deva existir um ponto médio, um ponto de equilíbrio ou um caminho do meio nessa história, porque o principal debate é a função do dinheiro a que ele está servindo, a quem ele está servindo e para que propósito, às vezes oculto o dinheiro existe na vida de um casal.

Não há nenhum problema que apenas um dos dois trabalhe de forma remunerada, porque se a gente for pensar, por exemplo; o trabalho materno é um extenuante trabalho de um casal de uma família, só que ele não tem remuneração. Não tem problema nenhum que apenas uma das pessoas trabalhe, mas a questão é como isto vai virar, ou não, uma moeda de troca nas relações de poder desse casamento.

Conversar sobre isso é muito importante dentro de uma terapia de casal.

A relação de poder e o dinheiro

Às vezes o pagamento da sessão é parte dessa conversa. Porque, por exemplo; quando os dois trabalham e apenas um dos dois arca com a terapia, o que é que significa isso?

Significa que a pessoa que a pessoa que não está pagando, não está investindo na terapia dela? Significa que o cônjuge que paga a terapia, pode escolher os temas que vão ser tratados, que tem mais ascendência sobre o processo?

Está claro como são as relações de poder que vão aparecendo na vida do casal de forma, às vezes, insidiosa quando a gente está falando de dinheiro?

Esse é um debate importantíssimo em toda terapia de casal.

Falar sobre o fluxo do dinheiro, como fluxo de uma energia, que circula pela vida, mas que fala sim de gênero, fala de sexualidade, fala de lugar de fala, fala de escolhas na vida.

Quem tem o dinheiro é que pode escolher para onde vamos nas férias?

Quem tem o dinheiro é o que pode escolher o que nós vamos adquirir para nossa casa?

Então o dinheiro não pode ser no casal uma moeda de silenciamento e nem nós como terapeutas podemos ser coniventes com esse tipo de prática, infelizmente muito comum nas famílias brasileiras.

O papel do terapeuta

Nosso papel nesse lugar é de transformar o dinheiro em mais uma representação do encontro, se vocês querem um encontro longevo e harmônico para vida de vocês, como é que pode ser transformada a relação com o dinheiro para que os dois personagens dessa cena conjugal, se sintam contemplados, vistos, reconhecidos, legitimados e motivados para continuar juntos?

E de outro lado, de que forma o dinheiro pode contribuir para esfarelar um relacionamento conjugal. Então este assunto do dinheiro é mais um dos temas que eu vou tratar no Curso Fundamentos de Terapia de Casal aqui pelo Instituto Aripe que tem como propósito instrumentalizar terapeutas e psicólogos de todas as abordagens de uma forma introdutória, para compreender essa grande diferença que é deixar de atender uma pessoa e passar a atender um casal.

Existem muitas fantasias sobre isso e vamos conversar sobre elas com muita calma nesse curso.

Continua assistindo essa série de vídeos, temos outros aí disponíveis para você e eu espero você no curso, Fundamentos de Terapia de Casal, aqui do Aripe.

Até lá!

por Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo, Mestre em Psicologia pela PUC do Chile Terapeuta de Casais, Famílias, Grupos e Comunidades.
Psicólogo do Programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo. Colunista da Revista Crescer (Editora Globo) e do Portal Lunetas (www.lunetas.com.br).