por Nádia O. Morais Saconato

O universo materno possuí muitas experiências solitárias e silenciosas, acredito que assim seja porque os sentimentos humanos ainda são desconhecidos e temidos por nós, inseridos em um sistema cultural que controla o caminho que conferimos às emoções.

O luto pela perda gestacional ou pela perda do bebê após o nascimento é uma dessas experiências solitárias e silenciosas da maternidade/paternidade. Muito comum essa perda ser banalizada pela sociedade, não conferindo a ela a importância necessária.

As famílias que tiveram seus sonhos interrompidos não possuem espaço para viver o luto, a sua dor. Ouvem tentativas de consolos inadequados como por exemplo, “mas vocês podem ter outro filho, são jovens”. É uma tentativa de calar a dor dessa mãe, desse pai, dessa família. Em vão.

O lugar que o amor foi construído

Não importa quanto tempo o bebê fez parte da família, se por segundos, por horas, por dias ou meses. Não importa o lugar em que o amor foi construído e que o sonho foi interrompido, se na barriga durante a gestação ou fora dela, após o nascimento.

Não há como mensurar a dor da perda de um filho, muito menos compará-la à outras dores de outras perdas. Quando um bebê se vai, vai também um projeto de vida construído com desejo de muitas alegrias e sorrisos. Vai também uma parte da mãe construída até então. Uma parte do pai, dos avós… vai uma parte do coração.

Vai a idealização, processo psíquico que motiva e impulsiona qualquer humano. Fica o vazio. O vazio na alma. No ventre. No espaço. No abraço. Fica a dor. A solidão.

Silenciar o luto

Silenciar essa experiência pode tornar o luto mais difícil, resultando em adoecimentos emocionais profundos. É necessária uma mudança da forma como lidar com os sentimentos humanos, para além do que a cultura social nos limita, é preciso dar a relevância real, com respeito, escuta e rede de apoio suficiente.

Conversando com Casais em Crise

2 Comentários
  1. Susani Correia Pereira 2 meses atrás

    Ótimo texto
    Toda perda é dolorosa… mas gostaria de colocar uma questão ao qual me devastou mais ainda após vivenciar dois abortos… É preciso fazer curetagem e nos colocam nos mesmos lugares em que uma mãe espera para dar a luz e quem perdeu vivencia tdo isso… lamentável
    Eu fiquei na recepção o todo todo até sair minha internação ao lado de muitas mulheres que estavam ali pra ganharem seus BBs… na sala de pré parto tbem… ouvi o parto de uma mulher o BB dela chorando os comentários do médico e do pai… e eu ali esperando o momento de arrancarem de mim o meu sonho… foi terrível… faço acompanhamento psicológico mas não esqueço nunca desses momentos.

    • Larissa 2 meses atrás

      Passei por isso tbm! É muito triste

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