O que fazer com as Mágoas?

As mágoas, disse o meu amigo Rossandro Klinjey em uma de suas inúmeras frases belas, são as más águas de um relacionamento.

RECONSTRUINDO NOSSO CASAMENTO | Jornada Terapêutica para Casais com Alexandre Coimbra Amaral e Daniela Leal
INSCRIÇÕES ABERTAS: https://bit.ly/3erBG7K
*Para aqueles que estão em sofrimento por sucessivas crises no relacionamento conjugal e que buscam caminhos de reencontro.*

A “más-águas” do relacionamento

Quando ele diz “más” ele não está dizendo que são ruins em si, mas a forma como lidamos com ela. Elas são as águas paradas de uma relação conjugal, em que uma ou ambas as pessoas ficam concentradas nessas cicatrizes.

Diante da mágoa, é difícil olhar para o outro, porque são cicatrizes que doem de forma pungente. A mágoa é uma força que me desconecta do outro.

Geralmente a mágoa é uma resposta a uma perda de confiança, ou a alguma questão relacionada à invisibilidade. Pensemos assim: para que não fiquemos reféns da força da mágoa, melhor elaborá-la do que simplesmente senti-la.

No início, pode até ser que a sua fala seja repetitiva, o que é parte do processo; pois você quer ser legitimada pela sua versão dos fatos; há a necessidade que alguém enxergue o seu sofrimento. O que é uma das principais necessidades humanas. Diante de uma relação que deveria ser o lugar chave para esse atendimento; e por isso a dor fica ainda maior.

Como meu parceiro não consegue enxergar minha dor? Por que eu fico aqui só, sofrendo com meu desencanto?

Magoar o outro pode ser parte inevitável de um relacionamento longevo. E não; não somos todos perversos, nada disso; o relacionamento começa com expectativas irreais; que constroem pactos impossíveis de serem mantidos fidedignamente, ao longo de muito tempo.

Ninguém consegue ser tanto para alguém por tanto tempo. As falhas vão acontecendo no meio do caminho, humanizando ambas as figuras, dando-lhes a oportunidade de se transformarem em pessoas reais, e não em fadas e fados sensatos (apesar de “bonitinha” significa, hoje, nas redes sociais, parte dessa armadilha de idealização do outro, o que aproxima do “cancelamento”…).

Reconstrução da Relação

Quando a mágoa vem como resultado de uma decepção moral, há que se ver a possibilidade de reconstruir a relação. Muitas pessoas sentem que o futuro da relação se quebra irremediavelmente diante deste tipo de falha, e não conseguem realmente se disponibilizar a uma reconstrução. Nestes casos, a separação pode ser inevitável, mesmo que gere muita dor de saudade, muita raiva e um tempo enorme de elaboração deste luto.

A mágoa é a ante-sala do cancelamento na relação conjugal; é um aviso, um chamado ao diálogo. Porque há algo ali que precisa ser escutado, sentido, chorado junto. De maneira que; há raivas que precisam ser transformadas em palavras; por mais doloroso que isto possa parecer.

A mágoa é uma pedra que, se bem derretida, pode gerar uma ou várias cenas de reparação e reconstrução. O novo casamento só acontece se olharmos nitidamente para as mágoas que construíram suas crises

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por Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo, Mestre em Psicologia pela PUC do Chile Terapeuta de Casais, Famílias, Grupos e Comunidades. Psicólogo do Programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo. Colunista da Revista Crescer (Editora Globo) e do Portal Lunetas (www.lunetas.com.br).