Muitas vezes o bebê chora inconsolavelmente. A mãe não sabe mais o que fazer, já deu colo, mamá, trocou as fraldas, conversou, cantou, e, nada do bebê se acalmar!

Não se cobre por não conseguir fazer seu bebê parar de chorar, talvez não há mais nada que você possa fazer a não ser deixar o choro passar, sempre junto ao seu pequeno.

Quando a mãe permite seu bebê chorar, acolhe também o choro de sua criança interior. Ela acolhe o seu próprio desamparo.

Quando alguém aconselha que o bebê deve ser deixado chorando sozinho, talvez esteja falando das vezes que não teve seu choro acolhido em sua infância. Nessas situações, a criança chora até a exaustão e vai aprendendo a engolir seu próprio choro. São crianças que viraram adultos exaustos e que ainda não colocaram suas emoções para fora, tendo muito o que chorar.

Quando se diz para o filho: “vai chorar até aprender”, “chora para ver se aprende”, parece até que existe um “choro educativo”. Na verdade, se desaprende a empatia.

Não acolher o choro, vai contra nossa natureza, nossos anseios mais profundos de cuidado.

Choro é expressão de sentimentos e não um corretivo. É vazão das emoções, todas: tristeza, alegria, raiva, frustração, angústia, nervosismo…

Acolher o choro não é dizer simplesmente: “está tudo bem”, “vai passar”, “não foi nada”; mas sim demonstrar com afeto e calor humano que você está ali e que sim, choro pode ser chorado! O tempo que durar.

Se cada emoção é válida, a criança aprende sobre aceitação. Quando o bebê pode chorar, recebendo colo, apoio, aprende que não está sendo inadequado, assim pode confiar em suas emoções, sentimentos e em si mesmo.

A segurança que a mãe, o pai, o cuidador oferta nas situações de choro gera confiança e forma uma base sólida para a vida adulta, quando o adulto torna seu próprio cuidador.

Isso não é autossuficiência, mas autoconfiança. E sabe que poderá pedir ajuda, sem receios.

Uma criança que não se sente segura nos momentos que mais precisa, pouco saberá se acolher quando adulta, pouco confia que alguém lhe estenderá a mão. O adulto inseguro desconfia da ajuda sincera, geralmente se recolhe no seu próprio desamparo.

Apego seguro corresponde ao vínculo de segurança e confiança com outras pessoas, com a vida, consigo mesmo.

Não é uma condição que se alcança, mas uma construção contínua nas relações. Quando outra pessoa falha em acolher e responder aos nossos anseios, podemos nos tornar resilientes. A falha é humana, mas que não seja intencional, como um “choro educativo”. Ao perceber nossas falhas e faltas podemos reparar e reconciliar os vínculos. Vínculos que se rompem e que se reparam apontam novamente para a aceitação.

 

Caroline Lampe Kowalski, Psicóloga Clínica, abordagem analítica, atendimentos online e presencial em Itapema – SC  (CRP 12/10806).  Facilitadora do método Dance Mãe e Bebê, escritora. 47 99743 6930

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Imagem: @jeanwang

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