O tamanho esquecido dos nossos amores

Falamos pouco do amor em sua suposta ausência, mas é justamente o vazio que nos confirma a sua importância suprema.
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A morte tem o hábito de expressar o tamanho esquecido dos nossos amores. Esquecemos de sua amplitude porque confundimos amor com rotina.

A rotina é a estrada pavimentada onde o amor se desenvolve, e o amor é o fundamento do humano.

Quando amamos, há um sentimento de importância, que desejamos que persista no tempo, e que encontre as nossas mais íntimas e inconfessáveis necessidades emocionais. Quando perdemos a pessoa amada, o vazio devasta estes preenchimentos da alma.

Ficamos desnutridos, ímpares, temerosos de viver sem aquela pessoa que tanto fazia a vida ganhar cor e sentido. O luto é esta convivência com a imparidade de um amor que se foi. E, nele, não há regras.

Se o amor é arteiro, o luto também o é.

Ambos são imprevisíveis, inegociáveis, domadores de sentimentos sobre os quais desejávamos ter maior controle. Somos atravessados pelo luto e ele nos demove de tudo. O luto é um convite a um soterramento inédito, em que a terra que nos cobre é o amor e a saudade.

Vale ficar ali, quietos, entendendo o que esta dor quer transmutar.

Não há outra opção, a não ser entender aos poucos este movimento tectônico que começa com chegada da morte, e avança na direção da permanência da saudade.

Quando o “para sempre” vira “nunca mais”, o corpo inteiro recebe a passagem da dor. E este corpo pode ser abraçado, cuidado, amado, amparado continuamente, porque é um movimento interno que ninguém pode viver no seu lugar.

Dar as mãos no luto é como dar as mãos no parto: o trabalho e a dor são do corpo de quem está fazendo a vida ou a morte acontecer derradeiramente.

por Alexandre Coimbra Amaral ,psicólogo e um dos fundadores do Instituto Aripe. Ele está no Curso Fundamentos da Terapia de Casal – para mais informações AQUI!