Olá! Mariene Perobelli é mãe, atriz e trabalha com formação de professores e com pesquisa voltada ao
desenvolvimento da criança no começo da vida.
Na série o Desenvolvimento Saudável da Criança na Primeira Infância.
Vamos tratar do aspecto do vínculo.
Como se dá o vínculo da mãe, do pai, enfim desse núcleo familiar na colhida do bebê que acaba de chegar ao mundo?
Imagine que o bebê está dentro do útero da mãe, onde é escuro, quentinho e tranquilo. E de repente acontece o nascimento e ele chega nesse mundo, cheio de luz cheio de informações, cores texturas, vozes, pessoas.

Tudo é muito novo para essa criança!
Hannah Arendt é uma filósofa, muito inspiradora e ela traz uma imagem que é fantástica. Ela fala que todo o começo da vida necessita da escuridão, como: o bebê no útero da mãe, a semente no interior da terra até germinar e se tornar uma planta; o pássaro no interior do ovo.

Portanto, esse começo de vida necessita de cuidado e justamente esse aspecto da escuridão, do ovo, da terra, do útero, nos traz essa ideia de cuidado.
E assim que o bebê nasce, como que a gente pode dar sequência? Como dar continuidade a essa
transição de forma amorosa, segura e tranquila?

Para responder essa pergunta, existe uma médica hungara, chamada Emmi Pikler. Ela é médica pediatra e pesquisou profundamente a questão do desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. E ela trata da questão do vínculo como um fator fundamental para o aprendizado da criança ao longo de toda a vida.

Por quê?
Porque as estruturas cerebrais estão se formando neste período. Nos três primeiros anos é que estruturada toda arquitetura cerebral. E como fazemos isso?

Uma das formas é na criação do vínculo. Emmi Pikler nos ensina que antes de tocarmos uma criança, antes de fazermos qualquer coisa,qualquer ação com essa criança, devemos primeiramente estabelecer um vínculopelo olhar. Pelo olhar é que nos vinculamos com o bebê, mesmo um bebê recém-nascido, que ainda não está com a sua visão bem desenvolvida.

Então eu olho nos olhos. Eu busco os olhos do bebê e eu falo com esse bebê e a minha voz faz como se fosse um banho de palavras, uma chuva de palavras, que delicadamente toca a pele desse bebê porque a voz é som e este se propaga no ar e toca a pele do bebê e assim a começamos a desenvolver não só a audição, mas o tato do bebê também. Porque a voz nos toca na alma. De maneira que uma relação que se dá pelo vínculo dos olhos e pelo tom da minha voz vai tocar profundamente a alma desse bebê. E isso vai trazer segurança, vai dar continuidade ao seu processo de transição de chegada no mundo com segurança acolhimento e respeito.

E então depois do olhar depois da voz, eu toco delicadamente no bebê, seja pra pegar pra amamentar ou qualquer outra ação com esse bebê.

Queremos lhe convidar a observar, perceber e exercitar uma relação de vínculo afetivo e respeitosa assim como nos ensina Emmi Pikler, compreendendo que nós estaremos estruturando toda a segurança e autonomia.

O vínculo com o bebê estrutura toda a base de aprendizado para a vida inteira
dessa criança.

Continuaremos essa série trazendo os próximos passos e sentidos e como eles se
desenvolvem nessa relação com os bebês nos próximos vídeos.

FORMAÇÃO DANCE MÃE BEBÊ

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