Vamos tratar do aspecto do vínculo

Como se dá o vínculo da mãe, do pai e desse núcleo familiar na colhida do bebê que acaba de chegar ao mundo?
Imagine que o bebê está dentro do útero da mãe, onde é escuro, quentinho e tranquilo. De repente acontece o nascimento e ele chega nesse mundo, cheio de luz, cheio de informações, cores texturas, vozes, pessoas.

Tudo é muito novo para essa criança!

Hannah Arendt é uma filósofa, muito inspiradora e ela traz uma imagem que é fantástica. Ela diz que “todo o começo da vida necessita da escuridão”. Como o bebê no útero da mãe, a semente no interior da terra até germinar e se tornar uma planta, o pássaro no interior do ovo.

Portanto, esse começo de vida necessita de cuidado. Justamente esse aspecto da escuridão, do ovo, da terra, do útero, nos traz essa ideia de cuidado.
E assim que o bebê nasce, como que a gente pode dar sequência? Como dar continuidade a essa transição de forma amorosa, segura e tranquila?

Para responder essa pergunta, existe uma médica hungara, chamada Emmi Pikler. Ela é médica pediatra e pesquisou profundamente a questão do desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. E ela trata da questão do vínculo como um fator fundamental para o aprendizado da criança ao longo de toda a vida.

Por quê?

Porque as estruturas cerebrais estão se formando neste período. Nos três primeiros anos é que estruturada toda arquitetura cerebral. E como fazemos isso?

Uma das formas é na criação do vínculo. Emmi Pikler nos ensina que antes de tocarmos uma criança, antes de fazermos qualquer  coisa,  devemos primeiramente estabelecer um vínculo pelo olhar. Pelo olhar é que nos vinculamos com o bebê. Mesmo um bebê recém-nascido, que ainda não está com a sua visão bem desenvolvida.

Então eu o olho nos olhos. Eu busco os olhos do bebê, eu falo com esse bebê e a minha voz faz como se fosse um banho de palavras, que delicadamente toca a pele desse bebê. Porque a voz é som, este se propaga no ar, toca a pele do bebê e assim a começamos a desenvolver não só a audição, mas o tato também. Porque a voz nos toca na alma. De maneira que uma relação que se dá pelo vínculo dos olhos e pelo tom da minha voz, vai tocar profundamente a alma desse bebê.

Isso vai trazer segurança e vai dar continuidade ao seu processo de transição de chegada no mundo com segurança acolhimento e respeito.

E então depois do olhar, depois da voz, eu toco delicadamente no bebê. Seja para pegar para amamentar ou qualquer outra ação com esse bebê.

Queremos lhe convidar a observar, perceber e exercitar uma relação de vínculo afetivo e respeitosa assim como nos ensina Emmi Pikler. Compreendendo que nós estaremos estruturando toda a segurança e autonomia.

O vínculo com o bebê estrutura toda a base de aprendizado para a vida inteira dessa criança.

Continuaremos essa série trazendo os próximos passos e sentidos e como eles se desenvolvem nessa relação com os bebês nos próximos vídeos.

Mariene Perobelli é mãe, atriz e trabalha com formação de professores e com pesquisa voltada ao
desenvolvimento da criança no começo da vida.

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2 Comentários
  1. Amanda 2 meses atrás

    Muito bom o vídeo, uma fala de fácil compreensão e tão importante para que se tire aquela ideia de ensinar a criança como uma pressão pros pais e pra criança. Adorei vou compartilhar com outras pessoas.

    • Autor
      tarsilakato 1 mês atrás

      Amanda somos gratos pelas suas palavras, é uma série de 8 vídeos, esperamos que você goste! forte abraço Equipe Instituto Aripe

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