Por que preciso fazer do puerpério um momento de autoconhecimento? Um espaço de me conhecer? Qual seria a razão de aproveitar esse momento para fazer toda essa reflexão e elaboração? Vou responder essas perguntas de várias formas.

Processos de transformações

Primeiro, quero te convidar a pensar se você tem consciência de como é que fica nos grandes processos de transformações que você vive.

Como ficam as suas emoções? Quais são as emoções que mais aparecem em você? Medo, raiva, tristeza? Você demora para sair de cada uma dessas emoções? Quais são as pessoas que você busca para encontrar segurança emocional nos momentos em que você está se sentindo nesse turbilhão?

São várias perguntas. Poderíamos elencar aqui mais uma centena delas. O objetivo maior é que você pense no formato da sua transformação.

O que é que acontece dentro de você enquanto você muda de fase?

Essa é uma consciência muito refinada na vida. E é algo que não pensamos muito. Às vezes, só dizemos “nossa, está sendo muito difícil. Estou em um processo de mudança.  Tomara que ele termine logo porque eu quero que o novo chegue”.

E o puerpério é um período muito demorado. Não é um período de quarenta dias, nem de quatro meses de licença maternidade.

Já que é um processo tão longo. Já que você vai ficar tanto tempo sentindo essa transformação em uma nova mulher. Quais benefícios podem existir se você elaborar esse momento com mais consciência, se conhecendo melhor nesse processo?

Você acaba de receber em seus braços um bebê que é pura transformação

O bebê vai te conectar com a transformação. Na hora que você estiver começando a conhecer quem é esse bebê. Quando estiver começando a entender os códigos dele. Por exemplo, tem um momento muito lindo na interação entre mãe e bebê. É quando a mãe consegue identificar as diferenças dos choros do bebê. As pessoas que estão de fora, sobretudo as que não têm filhos, acham isso algo impressionante, e realmente é. Isso é fruto da intimidade e da conexão amorosa entre mãe e filho.

Então, você começando a entender os códigos do bebê. Quem é essa pessoa que veio para você. Que por sinal é muito diferente daquela que você imaginou lá atrás. De repente, ele vai mudar de fase. Vai ganhar novas habilidades.

E vai começar a se redescobrir nessas novas habilidades. Ele vai querer tempo e espaço para experimentar essas coisas novas que está sentindo. E que tem condição de desenvolver no mundo. Ele vai começar a querer chupar o pé, pegar a mãozinha, engatinhar, colocar tudo na boca, etc.

São muitos momentos de transformação. E você vai se conectar com isso. O tempo inteiro você vai ter que olhar para o seu filho  e falar “nossa, ele não é mais aquele que eu imaginei que fosse até ontem”. Dessa forma, é preciso compreender como é o processo de transformação dele.

Quanto mais você compreender o seu processo de transformação, mais você tem condições internas de apoiar o seu bebê no processo de transformação dele

Por isso que estou dizendo: quanto mais você conhecer visceralmente o seu processo de transformação, mais você terá condições de apoiá-lo no processo dele. Porque ele vai te pedir esse apoio.

Você é o porto-seguro do seu bebê. Ele vai estar ansioso e agoniado com essas novas habilidades. Às vezes, ele fica desperto e acordado porque não sabe o que fazer com essa novidade. E você é a calma e a segurança emocional dele. Quando mais você souber do seu processo, mais você vai ser porto-seguro do processo dele.

A maternidade e o poder pessoal

Nesse momento, a consciência e a capacidade de entender o que você vive, vai te dar um poder pessoal muito grande. Você vai começar a colocar nome em algumas coisas que não tinha colocado. Talvez até hoje nem soubesse isso sobre você.

A maternidade tem essa capacidade, se você se devota a esse exercício interno, de descobrir as grandes fortalezas internas. Você vai descobrir que é muito grandiosa. E que pode fazer muitas coisas. Muito mais do que você imaginou poder fazer até aqui.

Porque você vai dar conta de uma complexidade na vida tão grande, que é sempre maior do que imaginava que pudesse ser. Na hora que se ver dando conta de tudo isso, você vai alterar as configurações sobre si mesma. Vai se olhar de forma diferente diante do espelho. E, consequentemente, vai levar essa mudança para todos os lados.

Nascimento de uma nova mulher

Por exemplo, você vai ter que ajustar todas as relações da sua vida de acordo com essa nova pessoa que você é. Você vai comunicar para sua família de origem, seu cônjugue, seu chefe, seus colegas de trabalho, seus irmãos e seus amigos, a nova pessoa que está surgindo. Não foi só um novo bebê que apareceu nessa família. Tem também uma nova mulher.

O seu trabalho, por exemplo, também vai se transformar. Você já imaginou o que essa consciência sobre sua força e seu poder pode fazer para sua identidade profissional? Pode fazer muita coisa! Você pode querer, por exemplo, se dar o direito de ser mais ousada na vida profissional. E ampliar a sua identidade profissional a partir disso.

Mas, também, agora você vai ter que lidar com uma profissão que precisa coexistir com a maternidade. Isso vai ser uma questão eterna na sua vida. Tanto o seu desejo de se desenvolver profissionalmente, quanto o de se desenvolver como mãe.

Puerpério e autoconhecimento

Todas essas questões que coloquei, fazem parte de um processo que pode ou não ser nomeado. Embora, quanto mais ele for sentido e elaborado, mais você vai ter domínio sobre quem você é e o que fazer com isso.

De tudo o que conversamos, tenho certeza que você ser a melhor mãe que pode ser para esse bebê, é o mais importante para o seu coração nesse momento. Você ser a mãe que representa os seus anseios e seus desejos, também é fruto da sua capacidade de olhar para você.

Quanto mais você se olhar e entender o que está vivendo. Melhor será a sua adaptação à essa pessoa que chegou para você. Você vai conhecê-lo. Ele vai se descortinar diante dos seus olhos. A intimidade entre vocês dois vai mostrar quem ele é. Ele vai te dar esses sinais. E você vai decodificar tudo isso e se fazer muitas perguntas.

Perguntas como: o que preciso transformar em mim para ser melhor para ele? O que preciso fazer de diferente em minha vida para que caiba melhor esse bebê com essas características? Que vai pedir de mim um tipo de exercício materno absolutamente particular.

Por isso, se você estiver com o segundo filho, também vai precisar fazer todas essas reflexões. Porque o segundo filho vai te pedir uma mãe diferente do primeiro, pode ter certeza.

Nós não nos relacionamos de forma emparelhada com dois amigos ou dois irmãos, por exemplo. Nós nos adaptamos e construímos relações diferentes. São movimentos de encaixes, adaptações e ajustes. Que estão diretamente relacionados com o processo de compreensão de como vivemos as transformações na nossa vida.

O puerpério pode ser esse grande laboratório para você normalizar, acostumar e ficar cada vez mais forte para todos processos de adaptação da sua vida daqui a diante. Aproveite esse momento. Tudo o que você puder fazer por você, vai reverberar em todas as esferas da sua vida.

Seja bem-vinda!

 

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