O nascer do Sol inspirou e inspira muitos poetas. Aquela misteriosa passagem do tempo entre a noite e o dia, um sopro gelado da brisa da manhã. E não poderia ser diferente para as mães em pleno puerpério, imersas nesse novo tempo/espaço: a chegada de uma nova vida.

O Instituto Aripe trás aqui algumas poesias de mães. São poemas escritos na fase latente do puerpério. Um momento de nos ver e reconhecer na arte, uma forma de expressar algo tão sutil e avassalador.

“O mundo não vai parar de acontecer” – Ciça Bracale

Lá fora
Mas aqui
Tudo que pulsa também plaina
Pra te encontrar nas filigranas
do agora
E a todo instante se refazer

 

Cada segundo que brota
Sem planos
É uma gota que se desvia
E se retorce
E se congela
Para logo, sem aviso, se derreter

 

E então sublima
E de tão sublime, se liquefaz
E se embrenha
E se enraíza
E se sustenta
Na suspensão
Da íris quieta
Só para te ver existir

“Eu vou aproveitar o peso do seu corpo” – Ciça Bracale

Eu vou aproveitar o peso do seu corpo

Para lembrar que todos nascemos leves

Que a imensidão já cabe mesmo em tão pequena porção.

Quero deixá-la marcada, impressa, gravada, na memória do meu corpo,

Junto `a sua respiração intensa, entregue na confiança profunda do meu peito.

E que o seu cheiro e sua temperatura se perpetuem em minha pele e por meus poros,

Para que eu nunca deixe de ser você.

Para que eu sempre tenha incorporada a sua essência, esse etéreo

antídoto contra qualquer leviandade cotidiana.

Estes são apenas lampejos da oração que são estes momentos,

que você me oferece mesmo sem saber.

 

“Nosso amor de ventilador” – Luiza Pannunzio

Você o ama.
Eu amo você.
Ele ventila.

 

Espalha este nosso amor dentro do quarto.
Faz voar o tempo.
Você crescer e acompanhá-lo em movimento.

 

Te faz perceber o dia.
Me faz agradecer quando a noite chega.
E os seus olhos ficam fixos apaixonados.

 

No ventilador.
Que hora ventila.
Hora fica parado.
Num silêncio longo como é o nosso, diário.
Uma cumplicidade que dispensa palavras.

 

O ar imóvel.
Você então espera que eu aperte um botão.
Provoque o movimento.

 

A pá gira no sentido horário e te faz sorrir.
A toa.
E assim os dias passam dentro daquele quarto.

 

Ventilado de amor…
Dá até pra sentir a brisa.
Sentiu?!

(Source: bebedacabecaquadrada.blogspot.com.br)

 

Ciça Bracale, mãe de Flora, nascida num parto natural intenso, cantora no Projeto Gomalakka, arte-educadora e arquiteta.

Luiza Pannunzio, mãe de Clarice e Bento, artista, estilista, iniciou a rede de apoio As Fissuradas conectando famílias com crianças nascidas com fissuras labiopalatinas.

 

 

Conversando com Casais em Crise

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