Quantas foram as vezes que diante da presença da pessoa amada nos desesperamos com medo de sermos abandonados a qualquer momento?

Quantas vezes na companhia de alguém agradável, sentimos um frio no estômago diante do receio de sermos substituídos?

Quantas vezes ao marcarmos um compromisso e o outro se atrasa, temos a nítida impressão de que ele não virá?

Para a pessoa que viveu o abandono durante sua infância,

já na fase adulta, pode sentir um medo incontrolável de ser deixado. O abandono que falamos aqui não é necessariamente literal, mas sim, aquele que ficou registrado nas entre linhas, como o choro engolido, muita espera da criança pelos seus pais que não chegam, quer por compromisso ou por doença, entre outras situações. O abandono pode ficar marcado no controle excessivo, na falta de reconhecimento dos sentimentos do filho, ou até na família numerosa aonde há falta de tempo para atender as necessidades de todos.

Perceba que existem muitas formas de abandono,

além do explícito deixar. Das mais concretas às mais sutis. Portanto, muitos sentem que há algo errado, mas a falta de uma clareza desta sensação dificulta a busca do caminho a seguir; e pode-se pensar, até, que viver com este pesar seja natural.

Para a pessoa que foi abandonada na infância pelos seus pais fica um registro forte no incosnciente.

Ela, por sua vez, aprende também a não se reconhecer e a se abandonar, repetindo o mesmo padrão de comportamento. Desde a infância, a criança tem a percepção que certas atitudes não agradam os seus pais e, por receio da perda do amor deles, ela vai se moldando e se distanciando do seu jeito verdadeiro.

Na fase adulta, quando situações similares acontecem,

aquele sentimento desesperado vivido na infância geralmente reaparece. Com isso, ao invés da pessoa lidar com a situação que de fato está acontecendo, muitas vezes ela reage como aquela criança desamparada, revivendo a situação da infância, sem se dar conta. Para dar nova fluência a estes comportamentos cristalizados, é necessário buscar caminhos que tragam à consciência esses acontecimentos e sentimentos vividos.

É na gestação um dos momentos que a pessoa se aproxima de suas emoções mais primitivas e tende vir à tona questões da tenra infância, como o abandono de seus pais. Entrar em contato com este emaranhado de emoções, justamente no momento em que se está investindo em uma nova vida, a do bebê, e tratar estas questões na psicoterapia, pode auxiliar preventivamente na construção de um novo psiquismo. Pois ao entrar em contato com sua própria história em um ambiente acolhedor, junto a um profissional capacitado, favorece um amadurecimento, uma ampliação da consciência de seus sentimentos e ações.

Dessa maneira pode-se aprender a perdoar os acontecimentos passados, ressignificando-o. Aprender a se respeitar enquanto pessoa com qualidades e defeitos, respeitar a sua forma de ser no mundo e se responsabilizar por isto. Concomitante favorece o acolhimento do seu bebê em seu estado mais primitivo e indefeso.

autora: Nicolle Fontanela, Psicóloga Perinatal e Gestalt Terapeuta
Atende gestantes, mães, pais e bebês.
Instagram @nicollefontanela

Imagem: nos auxiliem a encontrar o autor 😉

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