Família Pequenina e Família Ancestral

Moro longe! Por um motivo ou outro, minha cidade, a cidade onde vive minha família, não me coube, não nos coube, à mim e às crianças. Moro longe. Quis voar e agora que percorri distâncias sinto falta de minhas raízes.

Como refazer esse lastro que deve manter enlaçados meus filhos em seus ancestrais? Como traçar o caminho de volta sem abrir mão da liberdade francamente conquistada?

Minhas raízes, onde estão?

Se sou uma árvore frondosa, as raízes me sustentam, me nutrem, me estruturam. Ao mesmo tempo em que me fixam, me mantem parada, sempre no mesmo lugar. Mas não sou uma árvore. Sou gente do tipo livre, que gosta de aventuras, que gosta de novidades e de mudanças. Ou não sou nada disso e não sou uma árvore. Sou gente do tipo que o vento da vida soprou, eu e minha prole, pra longe dos meus ente queridos.

Afinal, o que são nossas raízes?

Depois de muito cavoucar buscando-as descubro que as minhas raízes, quem sabe as nossas, não se relacionam necessariamente com o espaço, com a fixação. Elas se relacionam com o tempo. O tempo rei, o tempo amigo, é nele que elas se emaranham! Não é fixar-nos em determinado lugar o que nos confere as raízes necessárias para nosso sustento, para nosso vínculo ancestral. Sinto que nossas raízes se manifestam plenamente pela forma como nos relacionamos com nossa tradição, nossa cultura familiar.

O mergulho no tempo!   

Muitos povos indígenas foram e são nômades. E seus costumes, seus rituais, sua cosmovisão continua sendo transmitida de geração pra geração, independente do lugar onde estão. Nós aprendemos a “ver” o mundo através dos olhos de nossos pais. Os nossos pais o fizeram pelas percepções de seus avós e assim sucessivamente. E é a conexão entre os ensinamentos absorvidos e os que reforçaremos para os nossos filhos o que dá forma às nossas raízes.

Nossas raízes humanas não se aprofundam no chão, elas se aprofundam no tempo. Na nossa capacidade de honrar nossa memória ancestral. Elas se aprofundam de acordo com nossa capacidade de aprender com as experiências de nossos antepassados. As nossas raízes se revigoram através de nosso discernimento do que queremos e do que não queremos repetir em nossa vida e na criação de nossos filhos.

Aquele chá milagroso, aquele cheiro de bolo, aquela reza orquestrada, a bendição carinhosa. Da ciência à simpatia, são essas, as raízes da memória as que nos permitem voar livres pelo mundo, sem perder os nossos lastros. Com luz e discernimento em nossa ancestralidade fortalecemos o que somos e o que nos tornamos como mães e como pais. Enraizados no tempo podemos alçar voos grandiosos, e criar nossos filhos no berço de nossa origem.

     (Leia mais em: E a mãe do pai?)

Pollyana Mendonça é mãe da Aurora e da Violeta, Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia, Mestre em Antropologia Social e Cultural pela Universidad de Barcelona e Indigenista com rica experiência no Cerrado e na Amazônia Ocidental. É Permacultora, Contadora de Histórias e membro da Equipe do Instituto Aripe.

Conversando com Casais em Crise

3 Comentários
  1. Catalina Manriquez 6 meses atrás

    Hola, soy de Chile y sólo hablo español pero entiendo el portuguez , espero ustedes puedan entender lo que escribo…
    Me siento en una paradoja con respecto a esta conexión ancestral con mi sistema familiar, ha sido difícil porque mis padres tienen un pensamiento sobre el mundo y la sociedad muy distinto al que yo he desarrollado, durante toda mi niñez y adolescencia yo entendía el mundo a través de ellos, pero con el pasar del tiempo y los conocimiento que he adquirido, fui dándome cuenta de otras formas menos violentas de mirar el mundo, y a quienes viven en él.
    Hoy tengo 38 años y me siento en un período difícil, confundida y muy rechazada por mi familia, quiero conciliar la forma en que elegí vivir, y el amor por mis padres y mis anteriores, dejar de sentir su rechazo y desprecio como algo real, me hizo sentido lo que leí, la sintonía y el amor hacia nuestro origen es primordial, pero me está siendo difícil poder vivir así desde donde estoy en este momento.

    • Equipe Instituto Aripe 6 meses atrás

      Muchas Gracias por compartir com nosostros su estoria! Em la brevedad tendremos contenido en espanol, Alexandre ha vivido en Chile. saludos,

    • Autor
      pollyana123 6 meses atrás

      Catalina, no siempre nuestras raízes nos brindan con todo lo que necessitamos. A veces parece que crecemos y nos tornamos un árbol distinto. Y las expectativas que creamos de los demás, y las que generamos en los demás nos hace sufrir. El hecho es que, ante todo, tu solo existe gracias tu mamá y tu papá, entonces, toca agradecer la vida. Después, hay todo lo después… muy personalmente, yo, Pollyana, creo que el exercício es ejercitar la gratitud, y el respecto a las diferencias, buscando ser, a cada día, una persona mejor. Entonces, busca todo lo que admiras en tus padres y guardalo para ti. Todo lo que no admiras, tu perdonas, porque es lo que les fue posible ser, en su contexto. Perdonas y apreende con eso todo lo que no quieres para ti. Tu les acepta como son, y les ofrece tu amor incondicional. Y no esperes nada de ellos, pues ellos solo harán lo que les será posible, dentro de sus limitaciones. Dona, ofrezca, y seguramente vas a inspirar todos los que están al redor de ti. Es mucho más fácil hablar que practicar, pero estoy en ello… Mi mamá ya partió para otra vida… aprovecha tu mamá, con todas sus limitaciones, mientras ella sigue aqui! Abrazos y fueza amorosa! POlly

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