Por Danielle Maria

Esse não é um passo a passo de como fazer um desmame, até porque não há receita pra isso, cada díade vai ter o seu processo. Tento trazer nessas linhas meus medos e também minhas vitórias. Minhas não, as que Felipe e eu tivemos nesse processo de estarmos prontos para um outro nível de vínculo. Aqui eu coloco as minhas emoções de peito aberto, porque amamentar e desmamar-se envolve isso : entrar em contato com as mais profundas emoções.

 (Veja também: O Retorno ao Trabalho)

Lá no inicio, foi super fácil. Sabe aquele bebê que nasceu pra mamar e mamava como se não houvesse amanhã? Pois é. Era o Felipe! Pega perfeita, ganho de peso perfeito, muito colo, muito peito… tivemos uma experiência saudável de lactação e isso fez total diferença no final do processo. Mas ser humano não é 1+1=2, né? Se eu fosse levar em consideração apenas o processo de lactação do Felipe seria fácil, mas eu tbm entrei em contato com a amamentação da Isabela… fissuras, mastite, baixo ganho de peso e principalmente um puerpério solitário e repleto de questões internas e externas.

Acabamos desmamando, ela prontíssima, eu muito cansada e confesso que desmamei por isso. Consequência foi que trazia a bendita da culpa comigo sempre. E essa culpa que não me deixava desmamar o Felipe, que não me deixava sequer trabalhar.

Sim amigas consultoras temos que falar de desmame!

E mais, temos que ser porto seguro para as mães nesse processo e dizer que esse vínculo de amor com o filho é para além da amamentação, muito além.

Eu já me percebia pronta, mas tinha tanto medo e de tantas coisas… Com certeza o maior deles era o de deixar pra trás a relação que construí com meu bebê, que como ele mesmo diz não é mais bebê, é “quiança”. Rs.. como se isso fosse possível, como se tanto amor, carinho e respeito fossem acabar por simplismente deixar de amamentar.

Muitas vezes estava apegada a metas do desmame natural ou ao fato de não saber se iria ter outros filhos, se iria vivenciar a amamentação outras vezes.

E foi aí que percebi que quem precisava desmamar era eu.

Eu precisava me abrir para um outro nível de vínculo, eu previsava parar de usar o peito para por exemplo ter mais tempo para responder as mensagens. Eu precisava internalizar uma foto que dizia tanto: ser mãe é muito mais que amamentar.

Era preciso deixar pra trás inclusive as minhas idealizações e frustações. Era preciso me permitir me reencontrar comigo mesma e eu tinha tanto medo! Medo do encontro dessas duas mulheres : a mãe que (re) nasceu com a Isabela e o Felipe e a mulher repleta de sonhos, projetos e louca pra me reencontrar.

Ficava sempre na dúvida se era isso mesmo, se era mesmo necessário! Mas cada vez que eu tinha que dar o peito era mais um fardo do que uma delícia. Então ao invés desse olhar de perda e de dor, comecei a ver com amor e gratidão esse período tão sensível, tão avassalador, amoroso e complexo das nossas vidas.

Quantas coisas fizemos juntos , quanto aprendi ( e ainda vou aprender) com o você, Felipe, o meu amor.

O seu jeitinho leve e descompromissado de ver a vida me fez ver que na minha história com a sua irmãzinha, fiz o meu melhor e está tudo certo!

E com essa leveza e esse amor que olho pra gente pós desmame.

Hoje me percebo muito mais pronta para os meus vôos profissionais e pessoais. Me permiti um tempo pra mim, tenho me cuidado mais, feito as unhas, me desapegado do que não me serve mais, me reencontrando!

Também percebo seus inúmeros avanços: tem estabelecido ainda mais vínculos saudáveis com outros adultos. Ele está mais falante e autônomo, cheio de si contando lindas histórias de dinossauros e super heróis. Ah… sobre o meu maior medo: que o nosso vínculo fosse menor.

Fico feliz que quando você se machuca nas suas aventuras de “quiança”, sua primeira palavra é mamãe! Fico feliz porque meu beijinho ainda te cura e nada vai mudar isso. Serei pra sempre o seu porto seguro.

Gratidão meu amor por me ensinar tanto sobre vínculo , sobre amor e sobre mim mesma!

Danielle Maria que participa da Roda de Pós Parto Online do Instituto Aripe. Visite sua página profissional.

Saiba mais sobre a Roda de Pós-Parto do Instituto Aripe com Alexandre Coimbra Amaral.

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