Esse é um relato. O que não fiz apesar de nunca ter escondido a perda, não relatei.

Após mais de um ano, na verdade um ano e meio tentando, finalmente conseguimos engravidar.

Muita euforia. Muitos enjôos e ao passar das semanas na verdade algo parava de ser sentido ao mesmo tempo em que sentia meus hormônios a mil. Enfim, numa perda de sangue com 11 semanas, logo antes do exame mais esperado do primeiro trimestre, o coração do meu filho não estava batendo. A melhor parte de tudo isso foi a delicadeza do médico que fez a ultra, muito sensível, tentou ouvir de novo e não teve sucesso. Logo entendi, mas a ficha não caiu. Saí e falei pro Diego. Eu nem me lembro se ele estava comigo lá ou se foi por mensagem. Surtei mesmo.

Tinha que esperar o embrião ser expulso.

A história é longa e levou duas curetagens, no centro da maternidade do hospital. Eu tomando remédio para ajudar o corpo a expelir entrei em trabalho de parto e não sabia. Só soube quando ouvi o mesmo tipo de grito das outras gestantes que estavam do meu lado para terem seus bebês saudáveis nos braços a qualquer momento.

Eu estava sozinha, pois na sala do hospital onde estavam as gestantes gritando os acompanhantes precisavam ser mulheres e o Diego que estava lá por mim.

Era uma gravidez molar e a placenta continuou crescendo, podia ser completa (foi parcial), o que quer dizer que eu talvez pudesse ter desenvolvido um câncer além de não estar com o meu bebê, e por ela continuar crescendo após a primeira cirurgia, precisei de outra.

Hoje sei como falta entendimento sobre respeito em hospitais nos casos de perdas gestacionais, na prática.

Senti também que estava sendo tratada como se eu tivesse causado ou desejado a pior dor emocional que eu podia imaginar viver.

Após a alta mais 4 anos se passaram até a segunda gravidez. Fila de adoção, tratamento de fertilidade sem sucesso e com óvulos doados – eu já estava no limite de reserva ovariana – mesmo com uma estimulação cavalar e 6kg em um só mês..

…no mês seguinte engravidei naturalmente com reposição hormonal.

A gestação não foi fácil, com enjôos, progesterona, injeções. Luta pesquisando se era necessário as injeções para viabilizar o parto em casa de parto (respeitoso e gratuito!)

E assim que consegui me livrar das injeções recebi a notícia que me impediria de ter o parto onde e como eu queria com o custo que eu podia. Estava com diabetes gestacional, algo impensável e inegável. Lutava para evitar uma cesárea e ela me perseguia (o sistema).

O limite era de 40 semanas, e com 39s e 7d nada. Ganhei mais 2 dias pela DG estar controlada, mas nada. Enfim, tentamos induzir e só tive um pouco de dilatação e os efeitos colaterais que me levaram à cesárea no momento preciso.

Hoje entendo que a primeira perda pode ter inibido meu corpo para abrir espaço para a saída do meu filho. Não queria abrir mão de estar com ele. Dentro de mim ele estava bem em todos os exames.

Por isso por experiência própria eu posso dizer que a saúde mental é prioridade.

Não posso afirmar, claro, mas sinto de verdade que meu filho estava esperando eu estar pronta, e por mais desejo de conhecer, o medo do parto me travou. Procure entender a sua história para que ela não seja uma repetição.

Fabiana mãe do Matheus e do Tiago para Laços do Puerpério – coletivo formado com alunas do Curso de Psicologia do Puerpério.

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1 Comentário
  1. Joene Alves Santos 9 meses atrás

    Relato emocionante sobre o sentimento da mãe diante da perda gestacional e a falta de preparo dos profissionais e do sistema, para lidar com a fase mais importante de uma mulher. Sou enfermeira de urgencia/emergência, tô iniciando na prática de doula e me emocionei diante da situação. Gratidão por compartilhar sua história, para mim fez muita diferença em como eu quero ser como doula. Gratidão.

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