A desmitificação da maternidade e a quebra de tabus acerca do Puerpério (veja mais em Por que se conhecer no Puerpério), passam por uma reestruturação em nossa sociedade da imagem da mulher e do feminino (veja também O Retorno ao Trabalho). Apresentar para nossas crianças a diversidade da participação da mulher em nossa sociedade nos mais amplos aspectos é de suma importância. Por isso o Instituo Aripe trouxe para seus leitores alguns trechos de uma interessante entrevista com Nadia Fink, autora de uma série de livros entitulada de “Antiprincesas”.

Acesse aqui a entrevista original em espanhol. Publicado no site La Primeira Pedra.

“Tomamos como base que os meninos e meninas são diversos, curiosos, sensíveis e abertos por natureza, que então são moldados a partir de estímulos externos. É por isso que tentamos trazer novos olhares, novos sentidos, apresentar a todas as crianças e meninas as mulheres latino-americanas”, diz Nadia Fink, escritora da coleção Antiprincesas, ilustrada por Pitu Saá. No Brasil, editado pela Tinta da China, a escritora enfrentou  o desafio de narrar histórias de mulheres reais, longe dos parâmetros estabelecidos pela indústria cultural.

 – Como surgiu a idea da coleção “Antiprincesas”?

Antiprincesas nasceu como um desafio, sobretudo apresentar um olhar diferente sobre a mulher, diverso do que é apresentado pela “indústria da Disney”. Longe dos estereótipos que não incluem a diversidade das meninas e da infância no mundo de hoje. Enquanto as histórias tradicionais mostram princesas esperando que alguém interfira em seu destino, os nossos são mais reais: eles tentam trazer um olhar diferente e mais próximo, algo que elas possam se espelhar.

Porque, embora muitas princesas de hoje sejam mais descoladas. Elas não deixam de apontar para o ideal feminino da beleza. Os três primeiros Antiprincesas, Frida Kahlo, Violeta Parra e Juana Azurduy, nos parecem ser mulheres profundas, interessantes e bonitas. É por isso que esta humilde contribuição para a literatura infantil procura apresentar essas vidas. Para que meninas e meninos conheçam diferentes histórias de luta.  Possam abordar a arte que as caracteriza e também suas formas de ver a vida e como elas influenciaram sua geração. Quais os vestígios que deixaram, o compromisso que elas tiveram, quais seus sonhos, suas fantasias, seus medos e suas angústias.

 – Qual o objetivo dessa coleção?

Pensamos que contar essas histórias para os pequenos seria uma oportunidade. Que pudessem conhecer uma visão de mundo que não encontram na TV e  muitas vezes, tampouco na escola. Começamos a partir do pressuposto que os meninos e meninas são diversos, curiosos, sensíveis e abertos por natureza. Que então a partir de estímulos externos serão formados. É por isso que procuramos trazer novos olhares, novos sentidos, aproximar as meninas e meninos das mulheres latino-americanas e também das características do nosso povo.

– Quais os aspectos das protagonistas são abordados nos livros?

Os aspectos que destacamos são todos em geral. Tentamos contextualizar seu nascimento, as características de suas vidas, suas obras, suas lutas. Nos parece importante abordar aspectos que são evitados nas histórias para crianças pequenas como tragédias, mortes, falhas. No entanto, indissociáveis da vida. O que implicou  em um desafio neste projeto para meninos e meninas, ou seja, encontrar uma maneira de relacionar todas essas histórias da vida, com o bem, com o mal, contando as decisões que cada uma tomou. É por isso que decidimos falar sobre questões que atravessaram a vida dessas mulheres: liberdade, amor sem preconceitos, deficiência, cultura popular, maternidade (ou não), etc.

– Que ensinamento você procura transmitir?

Um dos nossos objetivos é que as meninas e os meninos conheçam, desde pequenos,  histórias/personagens com quem possa se identificar. É certamente uma contribuição mínima para que elas cresçam, aceitando as diferentes formas de ser e a importância dessas mulheres e homens, não apenas na história, mas na vida cotidiana. Por outro lado, tentamos não subestimar os menores, porque acreditamos que a vida é muito menos adoçada do que vemos nas histórias.

– Como foi a decisão de escolher Frida Kahlo para abrir a coleção?

Em princípio, nossa ideia é apresentar a vida das mulheres latino-americanas. Por isso, é quase impossível não pensar em uma figura como Frida, mulheres reais que saíram para encontrar suas vidas e transcendem através de um trabalho concreto.  

– Qual caminho teve que ser realizado para alcançar a adaptação dessas histórias ao público infantil?

Escolhemos usar linguagem simples, mas não pobre. Os desenhos de Pitu Saá tem sua própria linguagem, bonita e sensível. E o design de Martín Azcurra propõe “janelas”, inspirado nas novas tecnologias acessadas diariamente pelas novas e não novas gerações. Um aspecto que consideramos interessante destacar é precisamente adaptação da história à era dos nativos digitais. Não podemos ignorar essas novas realidades imersas na cultura da Internet, caracterizadas pela virtualidade, não linear. Em seguida, encontramos um conjunto de desafios: por um lado, o objetivo principal de meninas e meninos se apropriarem dessas histórias e conhecerem a existência dessas mulheres e, por outro, mostrar isso de forma interativa, dinâmico.

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