Por Pollyana Mendonça

Uma vez li em algum lugar a seguinte equação: “felicidade = realidade – expectativas”. Bom, o fato é que definições de felicidade são fartas por aí… nós sabemos como é, já experimentamos bastante. Mas ainda assim vivemos correndo atrás dela. O caso é que a subtração das expectativas nessa simples sentença me chamou a atenção.

Expectativa… silenciosa vilã.

Entre ensinamentos de parentes e amigos mais vividos, lá sempre esteve a chamada de atenção: expectativa é mãe da decepção e avó da frustração. Pois, é aí onde começam muitos de nossos problemas, no trabalho, na família, no lar.

Somos humanos e nos relacionamos. Cumprimos muitos papéis… filha, irmã, mãe, esposa, e o mesmo acontece com os homens. Em todos esses papéis temos expectativas em relação aos sentimentos e ações dos outros. Algumas podem ser saciadas, outras nunca serão. Porque simplesmente é muito difícil suprir as expectativas de todas as pessoas com quem nos relacionamos! O mesmo vale então para as expetativas que nós mesmo criamos… difícil serem saciadas!

Nas relações envidamos esforços em ser boas pessoas, e queremos ser reconhecidas por isso! Queremos que nossas escolhas, nossos acertos recebam seu mérito. Desejamos reconhecimento nos pequenos e nos grandes gestos, nas corriqueiras doações, nas entregas substanciosas. Essa necessidade de reconhecimento sobre nossa conduta, muito especificamente nas relações amorosas, são um agravante para nossas expectativas.

Porque nem sempre recebemos o retorno esperado das pessoas que amamos. As vezes elas estão ocupadas em seus afazeres e não se deram conta de nossa sublime ação. As vezes elas até perceberam, mas a correria é tanta que se esqueceram de nos agradecer, de nos engrandecer. E ainda, as vezes, nossa ação pode realmente não ter sido tão importante para os demais como é para nós.

E nos frustramos. E cobramos o outro por reconhecimento. E talvez nos fechamos. Talvez nos entristecemos. Talvez brigamos porque o outro devolve a mesmíssima acusação, a falta de reconhecimento!

Voltamos à equação anterior: quando a origem da dor é a expectativa.

É um aprendizado infinito esse de dar o melhor de si, incondicionalmente. Mesmo tendo clareza que queremos ser cada dia melhores e evoluir em nossas relações, em nossa passagem por essa vida breve. É um aprendizado solitário esse de fazer o melhor que conseguimos, em cada momento de nossas vidas, e não esperar por isso reconhecimento, não criar expectativas sobre os outros.

Não é impossível. Não é um caminho finito. É uma longa e colorida estrada a de se bastar, a de ser fiel a si mesma e superar-se a cada dia. A de não esperar o reconhecimento alheio, e continuar atuando por amor… à vida.

E se atuar por amor à vida, da melhor maneira possível, respeitando nossos limites em cada ocasião, não fizer sentido, então é hora de rever a essência. É hora de repensar cada escolha, rever os caminhos.

Dispensar tudo o que sobra. Abandonar crenças obsoletas, liberar-se de apegos da zona de conforto, entregar orgulhos envenenados, perdoar mágoas desgastadas. Vamos então desfazendo essa carga pesada que não necessitamos mais carregar. E acarinhamos nossas cicatrizes, damo-nos o colo que merecemos.

Liberar-se a si e liberar o outro do peso das expectativas!

E mais leves, mais livres, podemos reconhecer nossa própria trajetória, entre trancos e barrancos, entre sombras e muita luz.

Podemos reconhecer que somos muito especiais por estar vivos e que podemos sim dar o melhor de nós, a cada dia, exercitando não esperar nada em troca. E desfrutar da leveza que essa atitude nos traz.

Assim, liberamos o outro de nossas amarras e reconhecemos, com graça, nossa própria ousadia de amar!

Pollyana Mendonça – mãe da Aurora e da Violeta, Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia, Mestre em Antropologia Social e Cultural pela Universidad de Barcelona, Indigenista com vasta experiência na Amazônia Ocidental, Permacultora e Contadora de histórias.

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