Já sabemos muito bem que o tempo corre, que a internet tornou tudo muito mais rápido. Temos metas acumuladas, prontidão de resultados, respostas instantâneas para todo tipo de perguntas. O tempo voa na velocidade da luz.

Mas quando chegam os filhos, tudo muda, a vida inteira muda, quase sempre pra sempre. No começo é tudo mágico, nos dispomos a desfrutar cada instante da vida desse novo ser, esse filhote que nos enche de amor, de afeto e de olheiras.

A doação é mamífera, nos entregamos ao leite que desce, ao sangue que limpa, ao bebê que suga. É um tempo suspenso no ar, onde o vínculo vai se conformando tal qual teia de aranha, num bordado meticuloso de amor, disposição e disponibilidade.

As lições do Tempo

Com maior ou menor dificuldade, o puerpério vai passando ao mesmo tempo em que voltamos a olhar no espelho. E no espelho vemos aquela mulher novamente, para além da mãe já abrigada em nós.

É quando bate forte a vontade de sair com as amigas, de namorar o companheiro, de transpirar por exercício, de vestir um vestido que não seja próprio pra amamentação. Queremos então voltar ao nosso ritmo para além do lar, trabalhar com o afinco de outrora, criar, dançar, e ser uma boa mãe, é claro.

Nesse momento as lições do Tempo se tornam mais intensas, pois nem sempre as coisas são como gostaríamos. É virose, é resfriado, é manha, é carência….

Aparece o que seja para nos frear, para impedir nossos voos de águia sedenta e nos manter galinhas chocas cuidando do ninho. Queremos bater asas e muitas vezes somos impedidas de seguir a vida no ritmo desejado. Mesmo que tentemos manter uma dinâmica familiar impecável, as vezes a vida puxa o freio de mão, e nós nos debatemos, nos frustramos, sofremos.

E agora, como lidar com isso?

Para, respira, respira de novo, muitas vezes e profundamente. Olha pra cria, olha pro ninho, se acalma… lembra do Chico cantando “não se afobe não que nada é pra já…” Lembra que a vida tá por um fio, sempre. Lembra que o Tempo é Rei. Lembra que o melhor que podemos fazer é oferecer o melhor de nós, com luz e com sombra. Lembra que sábio é o universo, e que nada que vivemos é em vão.

Escuta uma boa música, se nutra do sorriso sincero de sua criança. Respira mais um bocado e pague o choro com ternura. E se precisar, chore também.

Tudo passa. E tudo passa rápido demais. Não tenha pressa. Já chegará o tempo de alçar novos voos. E, enquanto isso, saboreie a maturação da vida que, muito felizmente, ainda podemos carregar no colo.

 

Pollyana Mendonça – mãe da Aurora e da Violeta, Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia, Mestre em Antropologia Social e Cultural pela Universidad de Barcelona, Indigenista com vasta experiência na Amazônia Ocidental, Permacultora e Contadora de histórias.

1 Comentário
  1. Laura Müller 4 dias atrás

    Que leveza extraordinária para um assunto que pesa tanto! Obrigada!

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