Uma amiga estava sentada alimentando o bebê com a mamadeira quando uma mulher se aproximou e falou o quanto achava absurdo um bebê tão pequeno não ser amamentado.

Assim, gratuitamente.

O que a estranha não sabia é que minha amiga viveu um inferno no puerpério.

Que o bebê foi internado com menos de uma semana de vida.

Que o hospital era inimigo da amamentação.

Que deram chupeta e mamadeira e insistiram que o bebê estava com fome e que ela não ia conseguir amamentar.

Que por mais de uma semana ela via o filho através do vidro porque não permitiam que ficasse com o pequeno no colo.

A estranha, tão cheia de suas verdades, não sabia das madrugadas que passou chorando e se achando completamente incompetente e defeituosa por não amamentar.

A estranha não sabia que ela não teve apoio.

Não ouviu, só falou.

Derramou as suas verdades e magoou uma ferida que ainda sangrava.

Eu pari em casa.
A amamentação, apesar da hiperlactação e da mastite que parecem ser inevitáveis nos meus pós partos, fluiu com relativa tranquilidade. Meus pequenos ganharam peso com bastante facilidade, sempre foram bebês gordinhos e saudáveis.
Ao iniciar a introdução alimentar também não tive grandes problemas, se apaixonaram por comida desde o primeiro contato, comem até jiló.

Eu não usei mamadeira, chupeta ou leite artificial.

Na minha realidade minhas escolhas foram possíveis, e, apesar de pagar um preço alto por algumas delas, pude sustentá-las e tive o apoio necessário para fazê-lo.

Eu tenho consciência de que essa foi a MINHA realidade e que nada do que narrei acima me faz uma mãe melhor, mais amorosa ou mais capaz que ninguém.

E, principalmente, a minha história não me dá o direito de rotular a história alheia.

Por um tempo caí na armadilha de julgar as escolhas das mães que conviviam comigo, de achar que o que era possível pra mim era para todas, de que o “google” está aí pra quem quer se informar.

Por sorte, esta fase passou e deu lugar a um exercício diário de empatia.

Porque não, não é automático.
, me exige esforço. É escolha que reitero todos os dias.

Cada pessoa tem a sua história, sua forma de lidar com o que vive.

Eu nunca saberei o que faria na pele de quem quer que seja porque a pele que cabe em mim é a que uso.

Informar é bacana, se a pessoa está aberta e quer receber esta informação.

Defender a autonomia e direito de escolha da mulher não é defender apenas o direito de escolha quando ela escolhe o que julgamos certo.

Não se vive uma autonomia pela metade.

Empoderar não é enquadrar.

Jogue o “maezímetro” fora, ele não te serve para nada.

Seremos melhores quando aprendermos que nossas escolhas são nossas, só nossas.

Não temos o direito de impor nada a ninguém.
Não importa o quão bonito você fala, aprenda a ouvir.

A acolher.
A calar.
Informe, busque, divida.
Mas não esqueça que muito maior é o que nos une que o que nos separa.

Sororidade, queridas.
Sejamos mais empáticas umas com as outras.
O mundo pode ser mais acolhedor.
Nós podemos ser mais acolhedoras.

Texto de Elisama Santos – @elisamasantosc educadora parental

Arte de @spiritysol

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