Lindo, porém cruel.

Solidão materna? Como assim? Agora você tem o seu bebê ao lado pra sempre. Não faça drama.

Melancolia pós-parto? Que isso? Você ganhou um bebê saudável, você tem tudo. Não seja ingrata.

Puerpério? Ah, aquele período de 40 dias que a mulher leva pra se recuperar do parto? Passa rápido!

Veja também esse vídeo sobre Solidão Materna AQUI.

Sim, solidão. Seja pelo dia todo em casa, só ela e o bebê, sem um adulto pra trocar uma ideia; seja por não encontrar mais ninguém que compreenda sua fala ou queira ouvir seus assuntos; seja porque seus amigos param de frequentar a sua casa “porque agora ela é mãe”; seja porque a sociedade não está preparada pra receber uma mãe com um bebê em locais públicos onde geralmente não tem trocador, nem espaço kids, nem cadeirinha, nem “permissão” pra mãe amamentar seu filho.

Sim, melancolia. Mesmo com um bebê saudável nos braços e para aquelas que têm a sorte de ter um pai presente e um bom companheiro ao lado, existe alguma coisa lá dentro da psique das mães de crianças pequenas que diz que algo não está bem. Nem as mães, nem a medicina sabem ao certo o que é. Pode ser o looping dos hormônios. Pode ser o luto da mulher que ela era. Pode ser a frustração do parto que ela não teve. Pode ser só a forma diferente como tratam a gestante (imaculada conceição de Jesus) e a puerpera (louca, ingrata e reclamona). Pode ser tudo isso junto. Mas há alguma coisa que dói.

Não. O puerpério demora muito mais que a quarentena. Pra algumas até por volta dos dois anos da criança. E ele envolve tudo que eu falei até aqui e muitas outras questões, entre elas uma, que quem não é mãe jamais entenderá: o processo de transição do egoísmo para o altruísmo. Ser mãe é isso. E isso não é fácil. Mesmo quando se trata de um filho (que, sim, ela ama mais que tudo).

De um dia para o outro a mulher passa a colocar as todas as necessidades de outro ser acima de todas as necessidades dela. (Sobretudo se ela está amamentando com exclusividade, ou seja, se o seu corpo é a única fonte de alimento do bebê).

Eu estou me referindo a necessidades básicas como alimentação, sono, higiene, saúde, lazer e acolhimento. Nada disso está disponível para uma mãe de forma adequada.

Ela come a comida fria, o que sobrou na panela, e só a quantidade que der tempo, até alguém lhe devolver o bebê dizendo “tá procurando teta!”.

Ela não dorme mais de uma ou duas horas seguidas. Todos os dias. Durante meses. Às vezes anos.

Ela não toma mais banhos demorados… mal consegue se lavar enquanto escuta o choro do bebê junto com o barulho do chuveiro, que às vezes corre junto com algumas lágrimas.

O corpo dela dói inteiro. Principalmente as costas, por viver com aquela coisinha fofa de vários quilos pendurada no peito. Às vezes, por causa da exaustão, a imunidade dela vai ao chão e ela fica com fungo, frieira e todo tipo de pereba oportunista. E nem vou mencionar como é ter mamilos rachados e um bebezinho que você ama, faminto no seu colo.

O lazer de uma mãe quase sempre se resume a parques com o bebê ou visitar as amigas puerperas, onde ficam conversando sobre filhos. Enquanto cuidam dos filhos. Isso quando tem amigas. Que tenham filhos… porque as outras não vão aguentar seus papos “chatos” sobre cocô, teta e puerpério.

A mãe oferece seu colo o tempo todo ao bebê que chora. Mas ela também chora… e ninguém oferece colo a ela.

Nem vou falar da culpa. Inclusive da culpa que estou sentindo por escrever isso. Mas em algum momento isso teria que ser dito.

Eu relatei a realidade corriqueira das mães. Imagine a mãe de uma criança especial. Imagine na TPM.

Ok, só reclamações.

Mas, afinal, o que você pode fazer?

Eu respondo: deixe ela reclamar!

Isso é empatia.

Empatia não é agradar, nem consolar, nem mesmo ajudar.

Empatia é uma escuta ativa. É uma disposição em ouvir. Apenas escutar, SEM JULGAR.

Isso já fará uma enorme diferença.

Ajude uma mãe. As mães são importantes. Elas criam os seres humanos do amanhã. Mas são desamparadas hoje. Não torne as coisas mais difíceis dizendo que além de tudo… ela não pode reclamar.

A maternidade é linda… porém cruel.

por Aline de Moura de @diariodeumaloucamae2019

📸 @rafaelhanzen

4a Turma Psicologia do Puerpério com Alexandre Coimbra Amaral

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