Se fosse eu criar uma figura que interpretasse o tempo, seria uma mulher no puerpério. A maternidade é o tempo vestido de oportunidades para o renascimento.

Primeiro Ato: A deusa do Tempo
Cena1: Tempo de Florescer

Após a descoberta da gravidez passei a me relacionar com o tempo de maneira simbólica. A primeira questão que me invadiu foi: “de quanto tempo estou?” Nos meses seguintes, o pré-natal ultrassons e conversa diziam do tempo gestacional, calculado em semanas e trimestres.

A gestação é vivida em um tempo projetado ao futuro e nesse porvir, a ansiedade é soberana. Como se todas as ações fossem direcionadas para o tempo da chegada do bebê. Essa relação “tempo/nascimento” é tão intrínseco ao estado gravídico que gera certa estranheza ao tempo presente.

Cena 2: A hora de Dourada

O nascimento é a materialização do tempo esperado, quando enfim os olhos pousam sobre o recém-nascido, a partir daí o tempo deixa de ser cronológico e passa a ser lógico.

Cena 3: Um tempo “outro”

O tempo lógico no puerpério é uma experiência visceral, resultado da fusão entre a díade que ali coexiste, mãe e bebê vivem em um tempo distinto. Como se o tempo de fora dessa relação seguisse em outra dimensão, em outro tom.

Conceitualmente, o tempo diz da duração dos fatos. Porém, no puerpério o tempo é vivenciado como um tempo “outro”, atravessado pela rotina de cuidados com o bebê, pelas angústias e anseios maternos, pelas inúmeras expectativas depositadas sobre essa mulher, agora mãe. Ao mesmo tempo, o bebê não pode esperar.

Segundo Ato: Tempo puerperal;
Cena única

A vida me possibilitou gerar outra vida e em meu ventre um coração pulsou.
Durante o desenvolvimento da gestação, simultaneamente me preparava para o renascimento de mim mesma. Fui redoma. O parto me fez mãe.
No pós-parto milha filha se fez em mim. Fui mundo.
Hoje, ainda no puerpério – no meu puerpério atemporal – sou cotidianamente a descoberta dessa transformação. Esse desabrochar contínuo, que me despe, me desvela…me revela. Minha menina é conquista, é aquisição, é curiosidade, é ela.
Somos nós em um tempo que parece não ter fim, mas que passa sem perceber.

Por @judilorenzopsi
@movimentodancemaebebe

Imagem: Elliana Allon

Conversando com Casais em Crise

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