A criança aprende o mundo brincando. Anteriormente, nós falamos do vínculo, falamos do aprendizado do andar, da linguagem, do falar, do pensar, da imaginação. E hoje, estamos aqui no quintal, para tratarmos do tema: brincar.

 

Frutos da Terra – Renato Braz

“Esta terra dá de tudo
Que se possa imaginar
Sapoti, jabuticaba
Mangaba, maracujá

Cajá-manga, murici
Cana-caiana, juá
Graviola, umbu, pitomba
Araticum, araçá

Engenho Velho,
Canavial,
Favo de mel
No meu quintal

O fruto bom dá no tempo
No pé pra gente tirar
Quem colhe fora do tempo
Não sabe o que o tempo dá

Beber a água na fonte
Ver o dia clarear
Jogar o corpo na areia
Ouvir as ondas do mar

Engenho Velho,
Canavial,
Favo de mel
No meu quintal”

Vocês percebem que a criança vai aprendendo tudo de forma brincada?
É na relação brincada com o mundo.

Todo aprendizado, no começo da vida, é uma grande brincadeira. Portanto, quanto mais liberdade ela tiver para se vincular, se relacionar e explorar os elementos do mundo, melhor vai ser a sua formação. Assim como o aprendizado da criança e toda estruturação para sua vida toda.

Quanto mais simples, quanto menos estruturados forem os brinquedos… Com elementos mais naturais que tragam de volta esse vínculo com a natureza. Ou seja, brincar ao ar livre, botar o pé no chão, se sujar, tocar nas plantas, sentir o cheiro, contemplar as flores, as cores, as frutas, subir em árvore e pegar a fruta do pé.

É assim que aprendemos o mundo!

Esses são os sentidos todos se desenvolvendo na relação própria com o mundo.
Nós sabemos que hoje a maioria de nós vive em grandes cidades, em apartamentos. Os espaços não são exatamente adequados a essa exploração, esse desenvolvimento da criança. Mas que possamos oferecer espaços, tempo de qualidade e de vínculo com a natureza para essa criança brincar, correr, pular. Porque é assim que ela vai desenvolver o sentido do movimento que falamos lá no começo da série: o sentido do equilíbrio, o sentido do tato e o sentido vital.

A vitalidade da criança aumenta quando ela está em relação com a natureza.

Então, o nosso papel, enquanto adulto, é de permitir esse silêncio e esse tempo para a criança. Silenciamos e apenas observamos. Nós estamos ali presentes, tendo uma qualidade de presença. Uma presença de fato! Não uma presença que está no celular!

“Eu estou aqui” – que esse momento seja o momento de fruição, de encontro e de vínculo também na relação com a criança. Que possamos observar a criança brincando, acompanhar o seu desenvolvimento mas, proporcionando liberdade para ela brincar.

Não é preciso ficar fazendo interferências o tempo todo e mostrando as coisas pra ela. Se disponibilizamos elementos no espaço, essa criança entra no espaço.

Lembra do desejo de querer pegar o objeto para começar a virar de bruços para engatinhar, para andar?

É a mesma coisa! Disponibilizamos a ela os elementos e ela vai ter o desejo. Ela vai escolher o que quer pegar, o que vai fazer com isso, do jeito quiser fazer. Porque qualquer interferência que fizermos no brincar dessa criança, estamos imprimindo a nossa vontade e não fazemos ideia do que ela vai criar.

Lembra da imaginação do último encontro?

Então, que possamos deixar as crianças livres para que elas criem e experimentem. Porque são elas que nos convocam e que nos chamam para brincar com elas. Quando ela quiser, tiver necessidade e tiver vontade, ela vai nos chamar para e então nós brincamos juntos. Numa escuta afinada com a criança.

Sabemos que é uma qualidade difícil de presença, mas que possamos nos exercitar na relação com essa criança. Como por exemplo, cantar com a criança, tocar um instrumento simples. Qualquer coisa vira um instrumento, qualquer coisa vira um batuque, a criança mesmo faz isso o tempo todo.

Se vocês observarem atentamente, as crianças brincando, elas brincam com os sons, com os ritmos, com a musicalidade o tempo inteiro.

Contar histórias para as crianças, que podem ser inventadas a partir da brincadeira com os elementos. Ou eu posso ter lido uma história e contar essa história para as crianças, como por exemplo, os contos de fadas. Que também são um estímulo fundamental para a aprendizagem e para toda a estruturação dos sentidos, da percepção de si mesma e na relação com o mundo.

Essa foi a Primeira série O Desenvolvimento Saudável da criança na Primeira Infância do Instituto Aripe.

Agradecemos a você pela sua companhia. Esperamos ter contribuído na sua relação com os seus filhos, no seu trabalho, no seu desenvolvimento profissional e pessoal.

Mariene Perobelli, é mãe, atriz, trabalha com formação de professores, é pesquisadora sobre o desenvolvimento da criança.
Ela está aqui no Instituto a Aripe na Série o Desenvolvimento Saudável da Criança na Primeira Infância.

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